As 24 Horas da Paixão – Serva de Deus Luísa Picarreta

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*“Todos os remédios que a humanidade precisa se encontram na Minha Vida e na Minha Paixão.”* (Jesus à Serva de Deus Luísa Piccarreta – Vol. 13, 21 de Outubro de 1921)

*Meditação das 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo*

*Quando?*
Início: Hoje, 1º de abril, às 17h (Quinta-feira Santa )
Término: 2 de abril, às 17h (Sexta-feira da Paixão)

*Como?*
Cada um medita a hora que escolheu no formulário (Registre sua participação: https://www.divinavontade.com/24horasdapaixao2021/)

*O que será meditado?*
As orações das 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

*Onde encontrar as orações?*
No livro de mesmo nome: 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Luísa Piccarreta.

*Eu não tenho o livro. Como faço?* Clique no link para o *texto completo e vídeo* das 24 Horas da Paixão: https://www.divinavontade.com/portugues/

*Tem uma outra opção?*
Sim. O aplicativo da Divina Vontade (gratuito). Baixe na Apple Store ou Google Play
(Android: http://bit.ly/DivinaVontadeAndroid ou IOS http://bit.ly/DivinaVontadeIOS )

*Saiba mais: A RECOMPENSA QUE JESUS DARÁ PARA QUEM MEDITAR AS 24 HORAS DA PAIXÃO*
(link https://www.divinavontade.com/valor-das-horas-da-paixao-e-a-recompensa-que-jesus-dara-para-aquele-que-as-faz/ )

❗Atenção: O registro feito através do formulário é somente para um único dia de participação na união de oração motivado pela *Associação do Senhor Jesus/Rede Século 21*; não substitui a participação em qualquer grupo de meditação das 24 Horas da Paixão que, eventualmente, você faça parte.

As 24 Horas da Paixão - Serva de Deus Luísa Picarreta

 




Um mês com Maria – Padre Stefano Maria Manelli

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Homilia de Ano Novo

Ano Novo não é só uma festa bonita com fogos, música e champagne. Pode ter tudo isso, mas é tempo de repensar a vida. Faça isso no dia primeiro, que é feriado. Esse dia deve ser o dia da mudança e não mais um dia de se comer as sobras do Réveillon e dormir até o colchão arrebentar. Esse é o dia da comemoração de Nossa Senhora como mãe de Deus. Peça luz e ajuda a ela, nesta nobre missão. E, se não conseguir no dia primeiro, cumpra este propósito na primeira semana de janeiro:

 

1. Colocar a sua vida e a de sua família na presença de Deus, pedindo perdão pelos erros e pelo pecado, proteção e guia para todo o novo ano;

2. Continuar o que está funcionando, o que é bom, segundo a nossa fé;

3. Analisar a si próprio e descartar tudo o que não o serve, exceto pessoas, que devem ser olhadas sob a ótica da fé. Em outras palavras, a pessoa difícil deve passar de “ser incômoda” para virar “desafio de crescimento em virtudes”. É até lícito afastar-se dela, mas somente pelo tempo mínimo para reunir as condições para aceitá-la e com ela voltar a conviver. Somente se o convívio for impossível, em consciência, depois de envidados todos os esforços, é lícito se afastar. Lembremo-nos de que os grandes desafios cristãos são o Perdão e o Amor;

4. Fazer uma boa confissão, pra começar bem o ano, da qual você saia com firmes propósitos de emenda e com um plano para erradicar o pecado de sua vida. Vá atacando cada pecado recorrente por vez, começando pelo defeito dominante, que é raiz de outros pecados. Em qualquer dificuldade, procure o conselho de um sacerdote.

 

 

As dicas a seguir têm como base a RODA DA VIDA, das técnicas de coaching:

 

1. Organizar sua vida espiritual: programa de oração; cronograma de Missas (quantas quer assistir por semana?); honrar seu altar caseiro, organizando-o, embelezando-o, mas sobretudo frequentando-o. Outros itens de controle em nossa vida espiritual são: peregrinação, adoração (quanto tempo por semana?), devoções (Ofício da Imaculada, Terço Mariano, Terço da Misericórdia, etc), retiro, confissões (mensais? a cada dois meses?) e estudo da fé (programa e dicas de leituras – já sugiro Preparação para a Morte, de Sto Afonso), além de cursos de formação ao vivo ou por internet. Procurar identificar tudo o que lhe tira a paz interior e atacar o problema com leituras, cursos, aconselhamento, terapia, direção espiritual. Recorde-se de que a Bíblia diz: “não se ponha o sol sob a vossa ira” (Ef 4,26). E também não se ponha o sol sob a vossa tristeza, sob a vossa mágoa, sob a vossa preocupação…Temos de começar a ter o hábito de fazer um exame emocional a cada dia para limparmos o espírito e podermos dormir tranquilos. Cada dia devemos trabalhar para resolver nossos problemas, mas, ao chegar ao final do dia, devemos entregá-los a Jesus, cujo jugo é suave e o fardo é leve. Ele que nos manda ir a Ele sempre que nos sentirmos cansados ou atribulados. Ação e fé é o que resolve problemas e não preocupação, tristeza ou medo;

2. Checar a saúde: check-up, alimentação saudável, exercícios físicos, sono, saúde mental (terapia);

3. Ver como você está em seus diversos papéis sociais, à luz do amor cristão: que tipo de pai, mãe, irmão, tio, chefe, amigo, etc, é você? O que pode melhorar?

4. Verificar o que pode melhorar no seu ambiente físico, nos lugares onde você convive, dorme, trabalha ou estuda. São lugares limpos, arejados, ordenados, agradáveis de se estar?  O que você tem de jogar fora, doar, consertar ou arrumar um lugar para guardar?

5. Tirar tempo para se divertir. Mente cansada não produz e adoece o corpo. O que você quer começar a desenvolver como atividade de entretenimento?

6. Olhar para dentro de si. O que você pode fazer para se desenvolver melhor como pessoa? Terapia (com bons terapeutas católicos, por terem os mesmo valores que nós)? Curso de Inteligência Emocional? Cursos para desenvolver oratória ou criatividade? O que lhe atrapalha ou trava como pessoa, no desempenho profissional ou relacionamentos?

7. Avaliar seu lado profissional. Faz o que gosta? Vai mudar de profissão? Se especializar até que nível? Você trabalha com amor ou só por seu sustento?

8. Analisar suas finanças. O que você ganha é suficiente para seu sustento e de sua família? Se precisa de mais dinheiro, o que pode fazer para obtê-lo? Assistir ao documentário básico sobre minimalismo na internet e sobretudo analisar como você vai gastar menos ou diminuir seu grau de endividamento.

Para concluir: todo esse trabalho de reorganização da vida deve ser conforme a vocação de cada um e sempre tendo por objetivo a santificação. TUDO SEJA FEITO POR AMOR A DEUS E COMO TESTEMUNHO DE NOSSA FÉ EM JESUS!

Pe. Fernando Rebouças
Capelão do CBMDF




Para Contemplar o Natal

CONTEMPLAR O NATAL
Francisco Faus

Eu vos anuncio uma grande alegria:
Nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor.
– Um Menino nasceu para nós:
um Filho nos foi dado!
Vinde todos adorar o Senhor!
(Da liturgia do Natal)

 

PÓRTICO

O primeiro anúncio do Natal foi uma luz resplandecente no meio da escuridão do
mundo. Naquela noite santa, havia nos arredores de Belém uns pastores, que vigiavam e
guardavam seus rebanhos durante as vigílias da noite. E eis que, de repente, um anjo do
Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles (Lc 2,8-9).
Hoje também, quando o Natal se aproxima, vemo-nos rodeados de luzes: luzes de
cores, luzes que piscam, luzes que giram formando mil desenhos… Luzes que convidam às
compras, aos presentes, e às delícias da ceia de Natal…Tudo isso, com sobriedade e medida,
é bom, sobretudo se assim se enriquece a alegria da celebração em família.
Mas dá pena ver que quase nenhuma luz é um apelo para celebrar o verdadeiro Natal:

Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todos: hoje
nasceu para vós, na Cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor. Achareis um
recém-nascido envolto em faixas de reclinado numa manjedoura (Lc 2, 10-12).

O Natal significa que Jesus, o Filho Unigênito de Deus, nasceu, e que, com Ele, se
revelou o infinito Amor de Deus pelos homens: Tanto amou Deus o mundo, que lhe deu seu
Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3,
16). O Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1, 14).
Isto é o Natal. E, ao vermos que muitos não o descobriram ainda, sentimos a
necessidade de nos dirigirmos ao recém-nascido filho de Maria, e de lhe dizer: «Jesus, no
teu aniversário, será que nós vamos deixar-te encostado na sombra, excluído da Festa como
se fosses um intruso?» Não, não queremos!
É muito reconfortante ter presente que o Natal não é uma pura recordação, uma
simples comemoração histórica. É real, é vivo, está acontecendo agora. Veja o que a fé nos
ensina:

Tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da
eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente(1).
.
Este livro que você tem nas mãos quer ser um apelo para que todos nos unamos aos
pastores, e digamos com eles: Vamos até Belém e vejamos o que aconteceu e que o Senhor
nos manifestou (Lc 2, 15).

 (1)Catecismo da Igreja Católica, n. 1085.

1. A AURORA DO NATAL: MARIA

O raiar da antemanhã

Depois de uma noite escura de séculos, um dia surgiu sobre o mundo a luz de um
novo amanhecer: apareceu Maria, criatura em quem se refletia sem sombras a imagem de
Deus, pois foi concebida livre da mancha do pecado original.

Quem é esta que avança como a aurora que desponta? – pergunta a Liturgia, com
palavras do Cântico dos Cânticos (6, 10), e responde que é a Virgem Maria, preparada por
Deus desde toda a eternidade para ser a digna Mãe do seu Filho, a aurora do Sol nascente,
que é Cristo (Lc 1, 78).

Há uma oração em honra de Nossa Senhora, que reza assim: «A maternidade de Maria
foi a aurora da Salvação». E o Bem-aventurado Paulo VI, comentando essa frase poética,
dizia:

O aparecimento de Nossa Senhora no mundo foi como a chegada da aurora que
precede a luz da salvação, que é Cristo Jesus. Foi como o abrir-se sobre a terra, toda
coberta pela lama do pecado, da mais bela flor que jamais tenha desabrochado no
vasto jardim da humanidade(2).
.
A mais bela flor, deu o mais belo fruto: o Salvador. Mil vezes repetimos, ao rezar a
Ave Maria: «Bendito seja o fruto do vosso ventre, Jesus»
A Encarnação do Filho de Deus no seio da Virgem foi o início do Natal, a sua alvorada.
Jesus, recém-concebido, já começava a ser, presente em sua mãe, o Emanuel, Deus conosco
(Mt 1, 23).

Como o Natal começou

O mistério do Natal teve início no dia da Anunciação. «O anjo do Senhor anunciou a
Maria, e ela concebeu do Espírito Santo», evocamos na hora do Ângelus.
São Lucas descreve esse mistério (Lc 1, 26 e seg.) com as seguintes palavras:

O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,
a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o
nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: «Ave, cheia de graça, o Senhor
é contigo».

A donzela de Nazaré ficou perturbada com a aparição e a inusitada saudação:

(2)Homilia, 08.09.1964.

Não temas, Maria – tranquilizou-a o anjo – pois encontraste graça diante de
Deus. Hás de conceber no teu seio e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de
Jesus. Será grande e se chamará Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono
de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim

Maria serena-se. E o anjo fica aguardando a sua resposta. Será que percebemos o que
acontece aí? Deus nunca «impõe»: só pede, convida. É impressionante verificar, nessa cena,
que o Céu inteiro está pendente da resposta livre de uma menina. Porque Deus ama e
respeita a nossa liberdade, esse grande dom que Ele nos concedeu e que podemos usar
para bem ou para mal.
Lembro a história de um universitário asiático recém-convertido, que no mês de Maio
acompanhou vários colegas numa romaria a um santuário dedicado à Virgem. Chegando
perto da igreja, os sinos bateram o toque do Ângelus, pois era meio-dia. Pararam para rezar:
O Anjo do Senhor anunciou a Maria… Sem pensar, escapou do moço esta exclamação
espontânea: «Se Maria tivesse dito não!» Tão grande era a felicidade do seu recente
encontro com Cristo que sentia arrepios só de imaginar o que teria acontecido caso Maria
tivesse dito não.
Mas ela respondeu «sim». Não foi uma resposta precipitada ou irrefletida. Seu «sim»
foi o próprio de um coração enamorado de Deus, e encerra muito mais riqueza do que à
primeira vista aparece. Esse «sim», sobre o qual vamos meditar a seguir, desdobra-se em
duas palavras: «Como?» e «Faça-se». Vale a pena descobrir o que significam.

Como se fará isso?

Maria perguntou ao anjo: «Como se fará isso, pois não conheço homem?

Por que essa pergunta? Na verdade, só se pode entender tendo presente que – como
bem sabemos os cristãos – Maria tinha consagrado a Deus todo o seu ser: o corpo e a alma.
O corpo era um templo reservado virginalmente para Deus; e também a alma, sem mancha
de pecado, estava entregue sem reservas nas mãos do Senhor.
Assim se compreende que a Virgem quisesse saber como se fará isso, pois era muito
difícil entender que Deus a quisesse virgem e mãe ao mesmo tempo. Humanamente, era
impossível.

Quando conhecemos a vida de Nossa Senhora, percebemos que ela perguntou
«como» não só porque o pedido de Deus parecia uma contradição insolúvel, mas porque
desejava acima de tudo cumprir, da maneira mais perfeita possível, a vontade de Deus. Era
como se pensasse: «Deus me pede isso, que eu acho impossível, mas, por mais que eu não o
entenda, eu só quero fazer o que Ele me pedir. Por isso, apesar de não ver “como” será
possível, sei que Deus me esclarecerá e me dará as graças necessárias para que o realize».

Como nós respondemos a Deus?

O «como» de Maria foi uma pergunta de amor. E os nossos «como», o que são?
Infelizmente, muitas vezes usamos essa palavra com uma intenção contrária à de Maria,
como uma maneira de dizer «não».
A experiência cotidiana nos mostra numerosas ocasiões em que perguntamos «como»
só para tirar o corpo, desculpar-nos e omitir-nos, porque era difícil fazer o que nos era
pedido e não queríamos assumir.

Quantas vezes o nosso «como» vira um «não»! Por exemplo, pensemos na pessoa a
quem Deus pede que dedique um pouco mais de tempo à oração, à Comunhão mais
frequente, à formação religiosa, ou a colaborar com uma obra de caridade em favor dos
necessitados, e responde: «Como? Como é que posso fazer isso, se não tenho tempo e,
sobretudo (deveria acrescentar, para ser sincero), se não tenho vontade?» Outro exemplo:

O caso da esposa que pede ao marido que converse mais com um dos filhos, o mais difícil, e
ele se esquiva dizendo: «Como?» Um «como?» que ele mesmo tenta em vão explicar
gaguejando: «Mas como vou fazer isso, se já tentei, se o garoto não me escuta, se, além do
mais, você já sabe que não tenho jeito para essas coisas…»

Maria nos ensina que a boa maneira de perguntar é a das almas generosas, dispostas
como ela a acolher tudo o que Deus pede e o próximo precisa.
As palavras esclarecedoras da resposta do anjo, que lemos no Evangelho, encheram
Maria de paz:

O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua
sombra. Por isso mesmo é que o Santo que vai nascer de ti se chamará Filho de Deus.
Também a tua parente Isabel – acrescentou – concebeu um filho na sua velhice e está
já no sexto mês, ela a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.

Imediatamente, sem um átimo de hesitação, Maria respondeu: Eis a escrava do
Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. Era o seu «sim» total.

O segundo «sim»: «Faça-se!»

Ao perguntar «como?», Maria fez um primeiro ato de amor. E, ao dizer depois «Eis a
escrava, faça-se», completou-o.
Na nossa vida cristã, nós deveremos seguir, ordinariamente, esses dois passos da
correspondência da Virgem. Deveremos começar pelo «como», quando Deus nos pedir o
que nos custa dar ou o que no momento nos parece absurdo. «Como posso corresponder
melhor a esse amor que Deus me pede agora, e que não compreendo, que acho
impossível?»; «Que propósitos, que planos, que propósitos deveria fazer?». A alma sincera
faz oração e pede conselho e, uma vez esclarecida a dúvida, deve dar o segundo passo: o
«sim» total: «Eis aqui a serva, eis o servo do Senhor, estou disposto a colaborar
sinceramente com o que Deus quer que seja feito na minha vida, sem me poupar, sem
contornar a vontade do Senhor, confiando na ajuda dele».

Não é fácil. É fácil dizer um «não», ou dizer um «sim» cheio de reservas e condições.
Com que facilidade falamos: «Farei isso se eu me sentir bem, se tiver vontade, se não exigir
muita renúncia.

Quantas condições colocamos! «Vou dar isso a Deus, se Ele me conceder o que lhe
peço» (comércio!); «Vou ser amável com os outros, lá em casa, se os outros forem amáveis
comigo…»

E, além disso, basta que apareçam dificuldades para transformarmos o «sim» já dado
em um «não». Maria contemplava as dificuldades como apelos de Deus, que a convidavam
a uma entrega ainda mais forte: a ter mais amor, a ser mais generosa do que antes, mais
humilde, mais desprendida, mais sacrificada, mais caridosa, mais compreensiva. Tinha a
plena confiança de que Deus – que a chamava – não deixaria de ajudá-la.

Foi assim a vida inteira. Nunca deixou de se dar com alegria, quer as circunstâncias
fossem fáceis, quer fossem difíceis. Manteve o seu «sim» sem interrupção, desde o dia da
Anunciação até o momento em que, ao pé da Cruz, abraçou o sacrifício redentor de seu
Filho.

No mesmo instante em que Maria disse «faça-se», o Verbo se fez carne em seu seio, e
habitou entre nós (Jo 1, 14). Deus se fez homem. O Natal começou a existir.

2. JOSÉ: O AMOR FIEL
Um homem justo

Vamos contemplar, neste capítulo, a figura de são José. No presépio, ele costuma
estar um pouco recuado, quase na sombra, olhando para o Menino e amparando Maria e
Jesus com a sua vigilância carinhosa. Que figura, a de são José! O Evangelho o define com
uma só palavra: era justo (Mt 1, 19). Vale a pena meditarmos nisso.

Pode ajudar-nos lembrar que, quando a Bíblia afirma que alguém é justo, quer dizer
que é bom, que é reto, que está sempre «ajustado» com Deus, ou seja, que vive sempre em
sintonia com Deus, com os seus preceitos e os seus pedidos. Numa palavra, que é santo e
que, por isso mesmo, também é íntegro e honesto com os outros.

Essas qualidades brilham mais quando lembramos que São José teve um caminho
bastante sofrido, misto de sombras e de luzes, até chegar ao Natal. Foi reto no meio das
perplexidades, foi totalmente leal a Deus e a Maria nos dias desconcertantes em que não
podia entender o que estava acontecendo.

Lembremos o Evangelho (Mt 1, 18-25 e 2, 13-23). São Mateus conta que, depois de
Maria ter concebido por virtude do Espírito Santo, José, seu esposo, que era um homem justo
e não queria infamá-la, resolveu deixá-la secretamente.

Precisamos refletir sobre essas palavras, pois não é na hora que se apanha o seu
significado. O que deve ficar claro desde o começo – porque o Evangelho o diz
explicitamente – é que José resolveu abandonar Maria secretamente porque era justo,
precisamente porque era justo: esse foi o motivo. Deus – que inspirou o texto sagrado de
são Mateus – quis mostrar-nos com essas palavras que a resolução de José foi um ato de
bondade, cheio de retidão.

Um dia ele percebeu a gravidez de Maria, que era um tremendo mistério entre ela e
Deus. E aí começou a sua reação. Sofreu sem compreender nada, mas em nenhum
momento quis pensar mal dela. Nem por um segundo admitiu a possibilidade de que nela
houvesse a menor sombra de pecado ou de traição, ainda que esse mistério tão
incompreensível lhe causasse profunda dor. Não é qualquer um que é capaz de fazer isso. É
preciso ter um coração muito grande…, e agarrar-se a Deus com força!

Ele amava Maria, ele a conhecia, ele percebia a pureza dos olhos, dos gestos, da alma
dela. Mas, pensando nela, sentia-se envolto num mistério que o ultrapassava. E Deus
permitiu que sofresse. Talvez para que nós víssemos o que é ser justo, o que é ser bom.
Porque, não querendo pensar mal, a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi proteger
Maria, não a acusar. Nem pensou em se proteger ou defender a si mesmo.

Para não a difamar, preferiu ficar pessoalmente mal, passar – se assim o quisessem
pensar os outros – por um irresponsável, um covarde, que deixa a noiva grávida e não quer
assumir. Dessa maneira, ela ficava inocentada. Preferia sujar a sua própria imagem, antes
que profanar aquele amor santo, que o próprio Deus tinha feito nascer entre ele e Maria.

Um homem reto

Ser reto é isso: fazer o que a consciência indica como o caminho certo, o mais justo
aos olhos de Deus, ainda que esse bom caminho nos traga renúncias e prejudique os nossos
interesses. José era reto porque agia por motivos retos (por amor, por fidelidade, por
honradez, por sentido do dever), e não se deixava arrastar por motivos «tortuosos» (nem
pelo interesse, nem pela vaidade de preservar a sua reputação, nem pelo comodismo de
lavar as mãos e dizer «eu não sei de nada»).

Precisou, para agir assim, de muita coragem. E de muita fé em Deus. Aquilo era saltar
no escuro. Era lançar todo o seu futuro nas mãos do Senhor, e esperar que Ele cuidasse dele
como um Pai.

Podemos dizer ainda que José foi reto e santo porque soube esquecer-se de si mesmo
e dar tudo sem ostentação: deu a sua honra, renunciou aos seus planos pessoais, deu a vida
em silêncio.

O desprendimento custa. Não é nada fácil vencer o egoísmo. Fácil é deixar que o
interesse seja a motivação das nossas ações, dos nossos desejos, dos nossos pensamentos,
dos nossos projetos. Poucos dizem: «Vou fazer isto porque é bom, porque é justo, porque é
verdadeiro, porque vai fazer bem aos outros, porque Deus me pede, ainda que me
contrarie, ainda que me doa, que me exija sacrificar coisas que muito aprecio». José fez isso.

Quantos casais não rezariam mais e lutariam melhor para superar desavenças se
pensassem assim, em vez de dizer que estão saturados, que não aguentam mais, ou que
chegou a hora de cada um «viver a sua própria vida», ou de «aproveitar a vida enquanto é
tempo». José não quis aproveitar nada. Só quis ser fiel a Deus e à sua esposa Maria. Ele
soube amar.

Um servo fie

Por isso Deus o amou a ele com predileção. Passados os primeiros momentos de
angústia, o Senhor tranquilizou-o.

Enquanto assim pensava – diz o Evangelho –, eis que um anjo do Senhor lhe
apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua
esposa, pois o que nela foi concebido é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho,
e tu lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados».

Que alegria deve ter inundado a alma de José ao receber essa mensagem! Com que
carinho, com que admiração, com que veneração olharia a partir daquele momento para
Maria, Mãe de Deus e sua esposa castíssima!

Com certeza, se antes disso já era justo e vivia em plena sintonia com Deus, a partir
desse instante iria ser ainda mais justo e afinado com Deus.

É importante perceber que, quando lemos com calma o Evangelho – concretamente,
os dois primeiros capítulos do Evangelho de são Mateus −, logo chama a atenção que a vida
de José se pode escrever com as mesmas palavras com que Deus lhe vai manifestando a sua
vontade. Recebe as indicações de Deus com o coração aberto, e não perde um minuto
hesitando, negaceando. Ao contrário, na hora, com muita paz, com a segurança do homem
de consciência limpa, começa a pôr em prática o que Deus lhe solicita.

Citávamos antes as primeiras palavras de Deus que ele ouviu: Não temas receber
Maria. E o que fez José?
Despertando do sono, fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa.
Obedeceu sem titubear.

Não foi só dessa vez. Sempre fez a mesma coisa. Quando Deus o chamou para que
fugisse para o Egito, livrando assim o Menino da perseguição de Herodes, levantou-se de
noite – na hora! −, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egito. E quando, após a morte
de Herodes, Deus lhe indicou que voltasse para a sua terra, levantou-se, tomou o menino e
sua Mãe e voltou para a terra de Israel. Sempre, ao pé da letra, a sintonia com a vontade de
Deus!

Esta é a grande lição que José nos dá. Se lhe temos carinho e devoção, ele nos ajudará
a ser justos, a ser retos e a não torcer os caminhos da consciência com os desvios do
interesse, da vaidade e do comodismo; a ser retos nos nossos juízos sobre os outros; a não
pensar precipitadamente nem julgar mal; a estar sempre em harmonia com o que Deus
quer.

Tomara que a nossa história também possa ser escrita como uma história de total
identificação com a vontade de Deus. Se assim for, o Menino do presépio sorrirá para nós
no Natal, e nós seremos felizes.

3. MARIA VISITA ISABEL
Coração aberto ao próximo

No primeiro capítulo, víamos Maria abrir as portas do coração a Deus, respondendo
com um sim cristalino àquilo que o Anjo lhe anunciava da parte do Senhor. Como resposta
de Deus àquele sim da Virgem, o Verbo se fez carne no seu ventre imaculado.

Não é difícil imaginar como Maria deve ter se sentido depois da Anunciação. Trazia
Deus no seu seio. Começava a amar a Deus com amor de Mãe. Teria sido lógico que se
ensimesmasse, que ficasse concentrada em si mesma, que se absorvesse no mistério divino
que habitava nela. Como não ficar pensando no Filho, na vida nova que começava para ela,
no futuro que jamais teria imaginado?

Agir desse modo seria humano, seria lógico. Mas ela não fez assim: não ficou
enclausurada em si, concentrada no seu mistério interior, mesmo tendo fortes razões para
fazê-lo.
Lembremos o que relata o Evangelho ( 1, 39-44):

Por aqueles dias – logo depois da Anunciação –, pôs-se Maria a caminho e
dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de
Zacarias – o marido da sua prima Isabel – e saudou Isabel.

O que a moveu a ir correndo à casa da sua prima Isabel? Sem dúvida, foi a caridade,
uma caridade tão grande que a fazia esquecer-se de si e voltar-se totalmente para Deus e
para as necessidades dos outros.

No dia da Anunciação – já o víamos −, o Anjo Gabriel, para explicar a Maria que era
possível tornar-se Mãe de Jesus e permanecer virgem, deu-lhe uma prova palpável de que
nada é impossível para Deus. A prova era que a sua parenta Isabel tinha concebido um filho
em idade já avançada e estava no sexto mês, ela a quem chamavam estéril.

O Anjo mencionou isso só de passagem, como ilustração do poder de Deus. Maria,
porém, captou nessa notícia um apelo: a prima Isabel, já além da idade própria para
engravidar, estava para ter o seu primeiro filho; com certeza precisaria de ajuda. Bastou-lhe
tomar consciência dessa necessidade, para se esquecer imediatamente de si mesma e partir
à pressa para ajudar Isabel.

A Visitação é um ícone do amor de Maria pelo próximo: pronto, delicado, generoso.
Assim como, no primeiro capítulo, púnhamos em destaque duas palavras de Maria na
Anunciação, agora pode nos ajudar também meditar em duas palavras, que esclarecem
qualidades da caridade de Maria: «adivinhar» e «adiantar-se».

A caridade «adivinha»

Um escritor católico francês, Ernest Hello, repetia que «amar é adivinhar», «o amor
adivinha». Tinha razão. Quem não é capaz de adivinhar o que o outro precisa, o que sente, o
que o faz sofrer, não ama de verdade. Não se trata de ser vidente nem de ter poderes
paranormais. Basta ter carinho, porque então vemos.

O marido que ama de verdade percebe, vê, que a mulher precisa de um gesto de
afeto, de um sorriso de agradecimento, de uma palavra de consolo. A mulher vê que o
marido precisa de bom humor lá em casa, de um ambiente positivo e encorajador, que
compense os dissabores de uns dias muito duros no trabalho. O irmão vê que a irmã menor
– ou vice-versa – precisa de uma ajudazinha no estudo, porque está aflita na véspera da
prova.

Poderíamos acrescentar, no mesmo sentido, que também no ambiente de trabalho,
na rua, na pobreza de muitos, na doença de outros, nos sofrimentos e aflições de tantas
pessoas que nos cercam, aquele que ama ouve uma voz silenciosa, como um apelo mudo
dirigido à sua capacidade de ajudar, de consolar, de acompanhar, de fazer o bem… Ele
«adivinha».

Como seria triste que o nosso «aparelho receptor» não captasse essa longitude de
onda. Que só apanhasse as vibrações do nosso próprio eu. Para a pessoa egoísta, o que não
é do seu interesse não tem voz nem vez. O que incomoda e pede sacrifício é inaudível.

Não adivinhar é, com frequência, uma maneira muito cômoda de ser egoísta. Por
exemplo, é o caso de quem diz: «Eu sou muito distraído; gosto muito de vocês, mas sou
meio aéreo, esqueço-me, não me dou conta do que vocês precisam…» Na verdade, noventa
por cento das vezes, o esquecimento é a consequência de pensarmos demais nas nossas
coisas e pouco nas dos outros. O eu ocupa tanto espaço na cabeça e no coração que os
outros não cabem. O esquecido, o distraído, não consegue «adivinhar».

A caridade «adianta-se»

Maria nunca andava esquecida, nunca estava distraída ou desligada do que afligia os
outros. Basta lembrar a cena das Bodas de Caná (cf. Jo 2, 11). Naquela festa de casamento, a
Mãe de Jesus foi a única a captar que, por um descuido, por não terem calculado bem a
quantidade de vinho, a alegria das bodas podia acabar em fiasco.

Então «adiantou-se», falou com Jesus; e conseguiu que o Filho fizesse – porque ela
intercedeu – o primeiro milagre: a conversão da água em vinho. Amar é adivinhar, e, depois,
adiantar-se, como Maria fez ao visitar Isabel e em Caná. É claro que amar não se reduz a
essas duas atitudes, mas elas são fundamentais.

Na prática, adiantar-se é dedicar-se ao serviço dos outros sem necessidade de que nos
peçam e sem esperar que nos retribuam. Há quem fique aguardando que os outros se
manifestem para dar uma mão; mas muitas vezes, quando lhe pedem de fato alguma ajuda,
reage com má vontade: e então, ou se desculpa dizendo que não pode ou presta o serviço
de cara fechada.

Maria amava o próximo como Deus nos ama. O Novo Testamento põe em destaque
que o amor de Deus sempre nos precede, sempre se “adianta” ao nosso. Lembremos a
seguir dois textos que exprimem isso claramente:

O primeiro é de São Paulo, e diz: Deus demonstra o seu amor para conosco pelo fato
de Cristo haver morrido por nós quando ainda éramos pecadores (Rom 5, 8). Quer dizer,
Deus deu tudo, antes de que nós lhe tivéssemos dado coisa alguma, e sem aguardar que lhe
retribuíssemos a sua doação.
O segundo texto é de São João:

Nisto consiste o seu amor – o amor de Deus –: não fomos nós que amamos a Deus,
mas foi Ele que nos amou primeiro e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos
pecados (1 Jo 4, 10).

O próprio Jesus fez o seu autorretrato por meio da imagem do Bom Pastor. O Bom
Pastor toma a iniciativa, adianta-se e sai à procura da ovelha perdida, mesmo daquela
ovelha que continua fugindo – dessa ovelha perdida ou meio-perdida que somos todos nós
–, e não descansa até encontrá-la. E a sua maior alegria é carregá-la de volta, com carinho,
sobre os ombros, até o lugar seguro, o redil de Deus.

Haverá mais alegria no Céu − diz Jesus − por um pecador que se arrependa do
que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência (Lc 15, 7).

«Que coisa admirável, Senhor» – exclamava Santa Teresa –, «que procures quem não
te procura, e que cures quem não quer ser curado e até ama a sua doença».
Sim, o Bom Pastor nos mostra que a alegria de Deus é a alegria de nos salvar. A alegria
é inseparável do amor e do serviço bem vividos.

Mas também é inseparável do serviço a elegância, que consiste em servir sem exibir-se,

dar sem cobrar, sacrificar-se sem fazer-se de vítima, fazer o bem e esquecer-se.

Basta que pensemos em coisas muito pequenas do dia a dia, como procurar, lá em
casa, pôr no lugar o que outros bagunçaram, desligar a luz que esqueceram de apagar,
atender a campainha que fica tocando sem que ninguém atenda…,

e fazer isso sem queixarnos nem reclamar dos que se omitem.

Aproveitemos esta reflexão para nos perguntarmos coisas muito concretas. Por
exemplo: «Será que, nestes dias próximos do Natal, estamos nos esforçando por adivinhar
necessidades alheias que antes nos escapavam? Quantas vezes nos antecipamos? Quantos
serviços ocultos prestamos, quantas ajudas e colaborações já demos, daquelas de que só
Deus e nós ficamos sabendo?»

Esse balanço pode nos fazer acordar de um mau sono e levar-nos a descobrir – com a
luz do exemplo de Maria – o fantástico panorama de amor e de serviço que temos todos os
dias à nossa espera. Peçamos à nossa Mãe Santíssima que nos ajude a parecer-nos, nisso,
um pouco mais com ela.

4. AS ALEGRIAS DE MARIA E ISABEL
A alegria do Espírito Santo

Neste capítulo (cada capítulo do livro é uma meditação íntima), vamos transportar-nos
de novo, com a imaginação, para a cena da Visitação de Maria a santa Isabel. Acabamos de
considerar nas páginas anteriores a bela lição de caridade – «adivinhar» e «adiantar-se» −,
que Nossa Senhora nos dá. Contemplaremos agora lições de «alegria» e de «humildade».

Lendo o relato da Visitação no Evangelho (Lc 1, 41-55), impressiona ver que a visita de
Nossa Senhora a santa Isabel foi uma grande explosão de alegria. Vemos aí a alegria de Deus
fundida com a alegria das duas futuras mães e com a alegria dos filhos que ambas trazem no
seio: Jesus e João Batista. Todos ficam inundados de júbilo.

O Evangelho narra assim: Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, o menino [o futuro São
João Batista] saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então Isabel
olhou, encantada, para Maria e exclamou em voz alta:

Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E de onde me
vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor? Pois logo que chegou aos meus
ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio.

Isabel ficou cheia do Espírito Santo; o menino saltou de alegria no seu seio, acabamos
de ler. Com essas palavras o texto sagrado mostra que a causa desse imenso júbilo foi a
efusão do Espírito Santo, que procedia de Jesus, ainda no ventre da mãe, como de uma
«fonte» (cf. Jo 7,37).

É maravilhoso ver que, movidos pela graça do Espírito Santo, Isabel e o seu filho
estremecem de alegria. Essa cena feliz nos leva a perguntar-nos: por que aconteceu isso
concretamente naquele momento?

A resposta é clara: porque ali estava Maria, e ela trazia Jesus consigo. Deus quis que
Maria, desde que concebeu o filho, fosse medianeira da graça entre Cristo Salvador e os
homens. Sim. Foi pela presença de Cristo, trazido por Maria, que o Espírito Santo desceu
àquelas almas e derramou nelas a alegria de Deus.

É interessante lembrar que, quando São Paulo enumera, no capítulo quinto da Carta
aos Gálatas, os frutos do Espírito Santo, depois de falar do primeiro deles, que é a caridade,
menciona a seguir a alegria e a paz. Amor, alegria e paz: três sinais claros da graça de Deus.

O cântico de Maria

Será que, nesta altura da nossa vida, ainda não descobrimos que as únicas alegrias
autênticas são as que vêm de Deus? Que somente quem está com Deus, como Maria, é
capaz de tê-las e de transmiti-las habitualmente. Aliás, o amor verdadeiro e a autêntica
alegria sempre andam juntos. Por isso, Léon Bloy podia dizer – e poucos o entendem – que
«a única tristeza que existe é a tristeza de não sermos santos».

A alegria de Isabel e do seu bebê foi radiante. Mas a maior alegria, a mais bela de
todas, foi a de Maria Santíssima.

Também ela se sentiu inundada pelo gozo do Espírito Santo, e extravasou-o num
cântico, o Magnificat (Lc 1, 40-55), que é uma das orações mais sublimes, um dos poemas
mais belos que jamais se entoaram em louvor de Deus.
Começou dizendo, como você provavelmente recorda:

A minha alma glorifica o Senhor, e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu
Salvador, porque olhou para a pequenez da sua serva!

Já de início, falando da alegria, Maria diz uma palavra que brilha com um fulgor
fascinante: a palavra «olhou». Maria proclama que está radiante de alegria, porque Deus
«olhou» para ela. Meditemos um pouco sobre esse olhar.

Deus dá a sua graça aos humildes

Em primeiro lugar, Maria ficou exultando de alegria porque se julgava tão pouca coisa,
tão pequena serva, tão pura pequenez, que achou incrível Deus ter olhado para ela com
predileção.

A Sagrada Escritura afirma uma e outra vez que Deus ama os corações humildes e,
pelo contrário, afasta o seu olhar dos orgulhosos. Por três vezes, no texto sagrado, se repete
que Deus resiste aos orgulhosos, e dá a sua graça aos humildes. Maria, que era tão
plenamente humilde, estava cheia de graça. E, no cântico do Magnificat, inspirada pelo
Espírito Santo, ela mesma dirá que Deus desconcertou os corações dos orgulhosos; derrubou
do trono os poderosos e exaltou os humildes.

É uma pena um coração orgulhoso. O orgulho é o pecado que mais desgosto causa a
Deus, porque é o grande inimigo do amor. Sem humildade, não há amor. E, sem amor, não
há alegria. Vejam se não é o orgulho (o amor-próprio ferido, o ressentimento, a teimosia de
não dar o braço a torcer, a arrogância de não querer dar ou pedir perdão…) a causa da
maior parte das brigas e divisões nas famílias. Essas divisões que doem tanto e que se
sentem ainda mais no tempo de Natal!

Há um outro aspecto do olhar de Deus, de que o Magnificat também fala. Nesse
cântico, Maria disse: Deus, meu Salvador, olhou para a pequenez da sua serva; e
acrescentou:… realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
Deus sempre faz coisas grandes com as pessoas que têm o coração humilde.

Realmente, na vida dos homens e mulheres humildes de coração, Deus faz muitas
maravilhas, que os orgulhosos, sozinhos (porque se isolam de Deus), não conseguem jamais
realizar. A pessoa humilde, por exemplo, recebe de Deus energias espirituais novas, que a
tornam capaz de vencer dificuldades antes invencíveis; a pessoa humilde recebe a graça de
ver com a luz da fé coisas que antes eram totalmente obscuras; a pessoa humilde torna-se
capaz de ter uma paciência, uma mansidão e uma compreensão incríveis, que antes julgava
impossíveis de alcançar; a pessoa humilde, com a graça de Deus, vence todos os obstáculos.

E, além disso, Deus escolhe os que são humildes como instrumentos para realizar
coisas grandes em favor do próximo. Os melhores mestres – os que não só transmitem a
ciência, mas formam homens e mulheres de verdade – são humildes; os bons pais – os que
não só dão comida, saúde e estudo, mas ajudam os filhos a ser gente de valores e de
virtudes – são pacientes e humildes; os bons colegas – os que caminham e avançam
solidários com os seus amigos – são compreensivos e humildes; os bons voluntários, os
autênticos servidores dos pobres, todos são humildes.

É claro que a humildade que estamos considerando não é a falsa humildade da pessoa
encolhida e sem caráter, que se acanha porque se sente inferior, mas a humildade dos
santos, a de Maria, que se vê a si mesma muito pequena aos olhos de Deus, mas está feliz
porque Ele é seu Pai e ela sua filha, uma filha muito amada, que Ele contempla com infinita
ternura.

Deus Pai cuida e nós

A ternura paternal de Deus faz-nos descobrir ainda um terceiro aspecto do olhar de
Deus. É o seguinte: Deus, por assim dizer, além de olhar para nós, olha por nós, ou seja,
Deus cuida de nós.

Uma das primeiras verdades que Cristo nos revelou foi esta: que Deus é um Pai que
nos vê, que nos acompanha, que cuida de nós mais do que cuida das aves do céu e das
flores do campo, mais do que a mãe cuida do filho. E que, muitas vezes, quando mais nos
ama é justamente naqueles momentos em que pensamos que se esqueceu de nós. Os
santos sabem disso.

É o que expressa belamente o Salmo 23 (22):

O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará. […] Ainda que atravesse o vale
escuro, nada temerei, pois estais comigo. […] A vossa bondade e misericórdia hão de
seguir-me por todos os dias da minha vida.

Essa alegria de viver sob o olhar amoroso do Pai, que inundava a alma de Maria,
também fazia São Paulo vibrar de júbilo. Ele tinha um otimismo que não era banal, mas era
confiança profunda, consequência da fé:

Se Deus é por nós – dizia –, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu
próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele
todas as coisas?

Sem dúvida, ele falava de que Deus nos dará todas as coisas que trazem alegrias
verdadeiras, alegrias eternas. Não só coisas boas que desejamos porque são agradáveis e
favoráveis, mas também coisas dolorosas e adversas, que – por incrível que pareça – podem
trazer-nos depois alegrias mais profundas e duradouras, se estivermos junto de Deus.

Os santos nos ensinam que podemos colher alegria tanto das flores como dos
espinhos; isso depende do nosso amor a Deus e do nosso amor ao próximo.
São Paulo resumia essa visão otimista, tão própria dos filhos de Deus, com uma frase
que deveríamos trazer gravada no coração: Nós sabemos que todas as coisas concorrem
para o bem daqueles que amam a Deus. Se conseguíssemos assimilar essa verdade, nada
nos roubaria a paz.

Será que Deus pode olhar para nós como olhava para a Virgem Maria, como olha para
seus santos? Peçamos a Maria, nossa Mãe, que nos ajude a ser dignos dessa graça, dignos
de receber as coisas grandes que Deus preparou para nós, dignos de possuir a confiança
feliz dos filhos que se sabem muito queridos e, por isso, têm a certeza de que o Pai está
encaminhando tudo para o seu bem.

5. OS PASTORES

Os pastores vigiavam

Vamos dirigir a atenção, neste capítulo, àqueles pastores que cuidavam dos seus
rebanhos nos arredores de Belém na noite em que Jesus nasceu (Lc 2, 8-20). As suas figuras
estão em todos os presépios, e são dignas de ser contempladas, porque eles foram os
primeiros a adorar o Menino Deus na noite de Natal.

Não é por acaso que Deus lhes anunciou essa alegria em primeiro lugar, antes que a
ninguém mais. É porque eram criaturas simples e Deus ama, juntamente com a humildade,
a simplicidade de coração.

Talvez você se lembre daquelas palavras que Jesus proferiu com entusiasmo: Eu te
dou graças, Pai, Senhor do Céu e da terra, porque revelaste estas coisas – as grandezas da
nossa Redenção – aos pequeninos, aos simples.

Cristo ama a simplicidade. Mas essa virtude tem, como o espectro solar, cores diversas
e todas bonitas. Podemos descobrir uma primeira cor nas palavras com que o Evangelho
apresenta os pastores:

Havia nos arredores uns pastores que vigiavam e guardavam o seu rebanho nos
campos durante as vigílias da noite.

O que nos sugere isso?

Vigiavam. Como gosta Jesus desta palavra! Felizes os servidores a quem o seu Senhor
achar vigilantes! – diz em Lc 12, 37. Vigiar é estar atento ao que se faz, ao que se deve fazer
– porque é o dever que Deus nos pede –, sem cair em descuidos nem cochilos. Vigiar é fazer
as coisas bem-feitas, com carinho, com capricho, colocando nelas a cabeça e o coração.
Vigiar é fazer com amor o que Deus nos solicita em cada momento do dia, e apresentá-lo a
Ele como uma oferenda agradável.

Com certeza, aqueles pastores gostavam do seu trabalho, trabalhavam com alegria.
Conheciam as suas ovelhas uma a uma, pelo nome. Eram daqueles que, como lemos na
Bíblia, as faziam repousar sobre pastos verdejantes, que procuravam as que estavam
perdidas, curavam as feridas, protegiam as doentes e ajudavam as fracas.

É tão bom aprender a «vigiar» como eles. Amar o trabalho e trabalhar com amor,
como um filho de Deus bem-disposto. Como é bonito – por exemplo – ver esses rapazes e
moças que trabalham de dia e estudam à noite. Muitos só conseguem dormir quatro ou
cinco horas, mas não se queixam. Estão felizes porque podem estudar. E sonham com o
futuro, e pensam que, quando chegar, poderão ajudar outros rapazes e moças, pobres de
dinheiro e ricos de esperança, a formar-se também. São bons e simples.

Foi a uns corações como esses – um grupo de pastores humildes − que um anjo do
Senhor anunciou, primeiramente, o Natal:

Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova, que será alegria para todo o
povo: hoje vos nasceu, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos
servirá de sinal: Achareis um recém-nascido envolto em panos e posto numa
manjedoura.

Nunca deveríamos cansar-nos de meditar nessas palavras, que definem o Natal. Deus
vem pequenino ao mundo, para se entregar pela nossa salvação. O Filho de Deus, a segunda
Pessoa da Santíssima Trindade, não vem com solenidade majestosa. Nasce pobre, iniciando
uma vida terrena que será sempre simples. O Senhor dos céus e da terra vem como a menos
importante das criaturas.

Corações capazes de admirar

Lembrávamos acima que há várias cores no espectro solar da simplicidade. Vejamos
mais algumas. Por exemplo, o Evangelho nos mostra que os pastores eram pessoas capazes
de se admirar. A capacidade de admiração é uma das qualidades características dos
corações simples.

Basta ver o que conta o Evangelho. Depois de receberem o anúncio do Natal, diz são
Lucas que os pastores foram correndo ver o recém-nascido:

Vamos até Belém, e vejamos o que lá se realizou e que o Senhor nos manifestou.
Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o Menino deitado na
manjedoura.

Logo o adoraram e lhe ofertaram o que tinham – pão, queijo, leite, um cordeirinho
novo –, e voltaram glorificando e louvando a Deus, por tudo o que tinham ouvido e visto.
Eles ficaram encantados com o Menino Jesus. Outros teriam ficado decepcionados
ante tamanho abandono e pobreza. Mas Deus e eles se entenderam perfeitamente bem. Os
corações simples descobrem maravilhas, captam alegrias que os complicados ignoram e
infelizmente perdem.

Complicados são os egoístas, que desconfiam de tudo e de todos, e tudo discutem. Os
simples não são assim. Não têm o olhar enfastiado, nem o coração entediado, nem a mente
desconfiada. Os simples são alegres, suas alegrias são singelas. Pelo contrário, os egoístas
são tristes e irritadiços, vivem enjoados de todos e de tudo. É como se tivessem um véu nos
olhos que os impedisse de enxergar as maravilhas de Deus e as coisas boas do próximo.

Há ainda outra característica bonita dos corações simples. Eles sabem apoiar-se e
animar-se uns aos outros, como os pastores, que mutuamente se incentivavam: Vamos até
Belém!… Quando esses corações simples têm fé, ficam felizes por ajudar, por animar os
parentes e amigos, com toda a delicadeza, a se aproximarem do Bem, a se aproximarem de
Deus. É outra cor desse espectro colorido da simplicidade.

A mensagem do Natal

Mas ainda há mais. Falta-nos meditar, a respeito dos pastores, em algo que é
essencial: a mensagem que receberam dos anjos.

Subitamente – diz o Evangelho –, ao anjo se juntou uma multidão do exército
celeste, que louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus no mais alto dos céus e, na terra,
paz aos homens de boa vontade!»

Alegria no céu e paz na terra. Paz! Que falta nos faz! É um dom que Jesus traz ao
mundo: A paz vos deixo, a minha paz vos dou. Um dom que significa muito mais do que
tranquilidade e falta de problemas.

A paz de Cristo não é a calma dos adormecidos, nem a pachorra dos desligados. É algo
muito mais e profundo: é a harmonia, a nossa harmonia com Deus, conosco – no íntimo da
consciência – e com os outros.

A harmonia com Deus alcança-se com o amor e com o arrependimento. Os corações
simples e bons vivem fazendo as coisas certas por amor a Deus, e pedindo perdão pelas
erradas também por amor a Deus. Cada confissão sincera, para eles, é um mergulho na paz
que só Cristo pode dar.

É um fato que todas as vezes que olhamos para Deus e para nós com sinceridade, sem
nos enganarmos, sem desculpas esfarrapadas para encobrir as nossas misérias, todas as
vezes que falamos como o filho pródigo – eu me levantarei, irei a meu pai e direi: Pai, pequei
contra o céu e contra ti (Lc 15, 18) –, todas as vezes que fazemos um ato sincero de
contrição, todas as vezes que fazemos uma boa Confissão, a paz nos invade.

Três caminhos para a paz

Creio que se pode afirmar também que um coração simples e bom, que ama a Deus,
pratica três regras de ouro que o mantém na paz:

Primeiro: Colocar o amor acima do prazer. O prazer egoísta mata o amor, é um
veneno tão forte como o orgulho. Ai da mulher, ai do homem, que abandona o sacrifício
que lhe pede o amor dos outros por uma razão tristemente egoísta: porque não lhe dá
satisfação, e só pensa em gozar a vida e sentir-se bem.

Segundo: Pôr a verdade acima do gosto. Isso exige ser muito sinceros. Muitas vezes,
na vida moral, achamos que é certo o que gostamos de fazer, e nem sempre temos a
coragem de perguntar a Deus a verdade, ou seja, o que é certo aos olhos dele.

Terceiro: Colocar Deus e os outros acima do nosso «eu»… Primeiro Deus, depois o bem
dos outros, depois «eu»… Os que seguem a ordem inversa procuram-se a si mesmos sem
parar, e caem num círculo vicioso, que poderíamos descrever assim: o seu «eu» vazio
procura a plenitude que ainda não encontrou, mas – infelizmente – procura-a voltando-se
para si mesmo, andando em círculo, como a cobra que morde o rabo; e como em si mesmo
só tem o vazio, passa a vida sendo um vazio que corre atrás do vazio.

Santo Agostinho tremia ante esse perigo e o vencia com um ato de fé: «Fizeste-nos,
Senhor, para Ti, e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em Ti»(3).Ele,
como tantos outros santos, aprendeu, pela fé e a experiência espiritual, que só nos
encontramos a nós mesmos quando nos damos. Não há harmonia melhor com Deus e com
o próximo do que a que nasce da doação generosa.

Jesus não se cansava de inculcar esta aparente contradição:

Quem quiser guardar a sua vida, a perderá; e quem perder a sua vida, por amor
de mim, a encontrará (Mt 16, 25).

É um segredo divino que as almas simples acabam descobrindo, e então saboreiam a
felicidade nova que Cristo trouxe ao mundo.

(3)Confissões, I, 1, 1.

6. AS PORTAS DE BELÉM

Reclinou-o numa manjedoura

Dos arredores de Belém, onde contemplávamos os pastores, vamos passar neste
capítulo para a cidade, a cidadezinha onde Maria e José chegaram buscando pousada. Ao
olhar para eles, procuraremos fazer uma meditação que seja, ao mesmo tempo, uma
contemplação e um exame de consciência pessoal, como que um pequeno retiro espiritual
de preparação para o Natal.

Há uma coisa que vemos em todos os presépios: o lugar onde Jesus nasceu é
desamparado, um pobre estábulo onde se recolhe o gado. Umas vezes, tem a aparência de
uma gruta – assim deve ter sido na realidade – e outras, a de um telheiro ou galpão de
adobe e tábuas, chão batido e palha.

A tradição do presépio é fiel ao Evangelho (Lc 2, 1-7), pois nele se diz que Maria e José
chegaram a Belém para se recensear, e

estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito
e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o numa manjedoura; porque não havia lugar para
eles na estalagem.

Maria ia dar à luz e não achou uma só porta que se abrisse. Todas se fecharam.
José foi batendo numa, noutra, também na hospedaria atulhada de viajantes, e
ninguém abriu. Todos disseram que não. Por isso, o nosso Deus teve que nascer no
desamparo, num refúgio de animais, e o seu berço foi a manjedoura onde o gado come a
palha e o feno.

Uma antiquíssima tradição – que se conserva carinhosamente até hoje – diz que o
único calor que a Sagrada Família recebeu, na Noite de Natal, foi o bafo quentinho de um
burro e de um boi. Depois, viria a companhia dos pastores que chegaram para adorar.

Portas fechadas

Não havia lugar para eles…Todas as portas trancadas. Vale a pena meditarmos um
pouco sobre isso, e pensar que há um fato real: Jesus continua a encontrar fechadas as
portas de muitos corações. Perguntemo-nos como é que vai encontrar a nossa no Natal,
uma vez que com certeza vai bater nela:

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu
entrarei na sua casa, e cearei com ele e ele comigo (Apoc 3, 20).

Todos nós, uma ou muitas vezes, já deixamos Nosso Senhor do lado de fora, quando
veio bater com a sua graça. Por quê? Pode nos ajudar a fazer esse exame de consciência
pensar – simbolicamente − que o ferrolho que tranca a porta do coração é sempre um não
dito a Deus; assim como a chave de ouro que a abre é sempre um sim, como o que
pronunciou Maria Santíssima no dia da Anunciação.

«Eu digo sim, ou digo não a Deus?» Todos temos motivos para nos dirigirmos a Jesus e
dizer-lhe: «Jesus, eu te peço perdão porque muitas vezes tenho fechado a porta quando Tu
batias nela; tenho passado o ferrolho do meu não».

Cada não a Deus é sempre um ato de egoísmo, algum tipo de falta de amor. Cada não
é uma escolha que fazemos, colocando-nos a nós mesmos na frente de Deus. Dentro de
cada não, esconde-se um inimigo do amor: o pecado. Afinal, pecar é recusar-se
voluntariamente a amar como Deus quer que amemos.

Além disso, cada recusa tem um nome concreto, que é sempre algum destes pecados:
orgulho, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Trata-se, como sabe, dos sete pecados
capitais, os sete ferrolhos que acabam trancando as portas.

Os ferrolhos e as chaves de ouro

Dentre todos os ferrolhos, com certeza, a soberba, o orgulho, é o pior. Torna-nos
convencidos, arrogantes, autossuficientes, vaidosos. Leva-nos a justificar todos os nossos
erros e a não aceitar correções ou conselhos de ninguém. Leva-nos a criticar e a pôr as
culpas de tudo nos outros. Faz-nos desprezar o modo de ser das outras pessoas.

Enclausuranos dentro de nós mesmos. Incha-nos de vaidade como um balão.

A chave de ouro que abre essa porta se chama humildade. Por isso, Jesus, o nosso
Salvador, o Médico que no Natal vem curar-nos, começa por nos dar no Presépio um
exemplo de humildade. Sendo Deus, faz-se pequeno, a última das criancinhas deste mundo.

Outras portas são trancadas pela avareza. A chave de ouro que as abre é a
generosidade. A avareza – sabemos bem disso – é aquele egoísmo que nos faz agarrar-nos
ao nosso tempo, aos nossos planos, ao nosso dinheiro, aos nossos gostos, que não
queremos dar nem compartilhar com os outros. É o pecado do adjetivo possessivo, que fica
sendo adjetivo obsessivo: meu, meu, meu.

Mas Jesus, que é Deus, quis nascer pobre, desprendido, dando tudo e dando-se todo,
para assim curar também a nossa avareza. Jesus Menino só diz tu, tu, tu. «É para ti e para a
tua salvação que eu vim ao mundo».

A luxúria é outro pecado capital. Consiste na procura desordenada dos prazeres
egoístas do sexo. E a chave de ouro que abre essa porta é a castidade, ou seja, a pureza do
coração, dos olhos, da imaginação e do corpo; é o amor esponsal puro, belo, ardente e fiel:

o amor que encontra o seu sentido pleno no sacramento do Matrimônio, a aliança santa
que – com a bênção de Deus – faz de duas vidas uma só.

E o ponto alto da castidade – para aqueles a quem Nosso Senhor assim o pede – é o
amor total que leva a dedicar alma, coração e corpo, a vida inteira, como Maria, ao serviço
de Deus e dos irmãos no santo celibato.

Causa uma grande alegria pensar que Jesus quis vir ao mundo através da pureza
cristalina de uma Mãe, que é a Santíssima Virgem Maria. E quis ser cuidado e ensinado por
José, varão castíssimo e fiel.

Prossigamos vendo – sempre em clima de exame de consciência – outro pecado
capital: a ira. A chave de ouro que escancara as portas que a ira trancou é a mansidão.
Como faz mal a ira! Que mal se vive com uma pessoa irritada, violenta, agressiva ou
carrancuda, que está sempre de mau humor!

No Natal vemos que a Sagrada Família foi desprezada, ficou abandonada no meio da
rua, e não se irritou com ninguém. Neles tudo é paz. E Jesus, já desde o berço, diz, mesmo
sem palavras: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis
repouso para as vossas almas (Mt 11, 29).
E a temperança?(4)

Essa virtude é a chave de ouro para abrir a porta que a gula fechou.
A gula! Os nossos abusos e desordens no comer, na bebida, na diversão, na televisão, na
internet… E que dizer das drogas, que começam a tecer a sua teia de aranha peçonhenta
com a desculpa de que é «só para experimentar»…? Depois, livrar-se da teia é uma luta
gigantesca.

Jesus vive, desde o seu nascimento, uma vida sóbria, discreta, cheia de uma tranquila
contenção. Ele é o contrário da voracidade de um consumista ou de um hedonista… Essas
duas atitudes, tão comuns nos dias de hoje, são verdadeiras algemas que aprisionam a
mente e o coração.

E que dizer da inveja?(5) Eis outro pecado capital que tranca os corações. Deixa-os
crispados, despeja neles fel e vinagre, desperta ódios e maledicências. Mas a caridade é a
chave de ouro, e consiste em querer o bem de todos, colaborar positivamente para o bem
de todos, quer se trate de amigos, quer de inimigos.

Não lembra como, na Paixão, Jesus ama até os que o torturam, o despojam de tudo e
lhe tiram a vida, reza por eles, e lhes estende a mão para que se salvem?

Por fim, resta o sétimo ferrolho, o da preguiça(6)
,que não é um pecado tão inofensivo
como parece. Quantas vezes os não que mais nos prejudicam e fazem mal aos outros

(4)Cf. sobre esse tema: Francisco Faus, Autodomínio: elogio da temperança, 2ª edição, São Paulo, Quadrante, 2016.

(5)Cf. sobre esse tema: Francisco Faus, A inveja, 2ª edição, São Paulo, Quadrante, 2016.

(6)Cf. sobre esse tema: Francisco Faus, A preguiça, 3ª edição, São Paulo, Quadrante, 2003.

procedem da preguiça, da falta de vontade de esforçar-nos, da falta de vontade de lutar, de
ser responsáveis, de ser constantes, de sacrificar-nos.

Quantas omissões não há na nossa vida! Pois bem, a chave de ouro para abrir essa
porta é a diligência, que significa o empenho por cumprir todos os nossos deveres com
prontidão, ordem e acabamento, por amor.

Esse pequeno «retiro» que acabamos de sugerir pode tornar-se especialmente
proveitoso às vésperas do Natal. Todos desejaríamos acolher Jesus Menino que vem de
braços abertos. Peçamos perdão, destranquemos os ferrolhos e façamos girar as chaves de
ouro. Sentiremos a alegria do arrependimento, da dor de não termos sabido amar a Deus e
ao próximo como devíamos, acharemos a paz na Confissão, e nos prepararmos para que o
Natal seja, para nós, um novo nascimento.

7. JESUS NASCE EM BELÉM

A Luz veio ao mundo

O nascimento de Jesus (cf. Lc 2, 1-20) é contemplado pela Liturgia da Igreja sob o
símbolo da Luz: «Ó Deus, que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da
verdadeira luz!»; «O povo que caminhava na escuridão viu uma grande luz»; «Hoje surgiu a
luz para o mundo: o Senhor nasceu para nós».

Todas essas expressões são um eco das palavras do prólogo do Evangelho de são João:

No princípio era o Verbo […] e o Verbo era Deus. […] Nele estava a Vida, e a vida
era a Luz dos homens. […] Era a Luz verdadeira, que vindo ao mundo, ilumina todo
homem […]. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós (Jo 1, 1 seg.)

Neste capítulo, a nossa meditação quer ser mais contemplativa: ajudar-nos a voltar os
olhos e o coração para Jesus Menino, que repousa sobre as palhas do Presépio, envolto nos
paninhos que a Mãe lhe preparou, de modo a sentirmos o impulso de agradecer-lhe a sua
entrega «por nós, homens e para a nossa salvação», e de adorá-lo: Meu Senhor e meu Deus!

O Menino que vemos deitado na manjedoura é Deus feito homem. É o Redentor que
vem para nos salvar

Tanto amou Deus o mundo – diz o Evangelho após a conversa de Jesus com
Nicodemos – que lhe deu seu Filho único. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para
condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele (Jo 3, 16-17).

Este é o coração da nossa fé! O Menino nos dá a certeza de que Deus, que é amor, nos
ama com loucura. Deus é amor! − escrevia são João. Nisto se manifestou o amor de Deus
para conosco: em nos ter enviado o seu Filho único, para que vivamos por Ele (1 Jo 4, 8-9).

Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou…
O mistério da Encarnação extasiava esse Apóstolo e o levava a dizer na sua primeira Carta
(1, 1): Nós o vimos com os nossos olhos, nós o contemplamos, nós o ouvimos, nós o tocamos
com as mãos…! E, como que lamentando a tristeza dos que são incapazes de «ver»,
acrescentava: Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor (4, 8).

Sinais do Amor, tesouros do Amor

Jesus nos ama – a você, a mim, a cada um − com toda a força do seu Amor divino e
humano. É um amor que tem dois sinais da autenticidade. Em primeiro lugar, é uma doação
plena. Um amor que não se dá não é amor. Mas não é um dar-se qualquer, é uma doação
que visa o nosso bem. E aí está o segundo sinal: todo verdadeiro amor quer bem, quer o
bem, dá-se procurando o bem da pessoa amada.

Qual é o bem que Jesus nos traz? Todos os bens! A vida divina – Deus em nós – aqui
na terra e a vida eterna. Desse tesouro, nós podemos extrair especialmente três riquezas:

• A riqueza da Verdade que Ele nos ensina.

• A riqueza do Caminho do Céu, que Ele nos mostra com o seu exemplo e a sua
palavra.

• E a riqueza da Vida nova dos filhos de Deus – concedida pela graça do Espírito Santo
−, que chega até nós a partir do seu Coração trespassado na Cruz.

Tudo isso resumiu-o Jesus, na Última Ceia, numa só frase: Eu sou o Caminho, a
Verdade e a Vida. Meditemos nessas palavras.

Eu sou a Verdade. Vem à memória a alegria do pai de São João Batista, Zacarias –
marido de santa Isabel –, quando, no dia do nascimento de João, profetizou o próximo
nascimento de Jesus como fruto da

ternura e misericórdia do nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol
nascente, que há de iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte e dirigir
os nossos passos no caminho da paz (Lc 1, 78-79).

Desde antes de nascer, Jesus já é anunciado como o Sol, como a luz, a luz da Verdade,
que nos guiará para a paz.

Já percebeu que a Verdade que Ele nos traz não é uma verdade qualquer:

é a verdade verdadeira?

É – como dizia são João Paulo II – «a Verdade sobre Deus, sobre o homem e
sobre o mundo»(7).

Mas essa Verdade – como Jesus explicava – é parecida com a «semente» na mão do
semeador (cf. Mt 13, 1-23; Mc 4, 1-20; Lc 8, 1-15). Pode perder-se no caminho, cair sobre as
pedras ou entre espinhos, e morrer; ou pode cair numa boa terra e dar fruto.

Se procurarmos acolher a Verdade – com maiúscula –, a nossa vida irá sendo reflexo
da vida de Cristo Jesus, e nada deste mundo poderá abalar a nossa fé.

Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um
homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha (Mt 7, 24-27).

Uma casa que nem a chuva, nem o vento, nem as tormentas conseguirão derrubar.

(7)Cf. Carta Encíclica Redemptoris Missio, 07.12.1990, n. 3;

e Carta Encíclica Redemptor Hominis, 04.03.1979, n. 12.

Eu sou o Caminho. Olhe para Jesus Menino. Descobrirá que toda a vida dele – desde
que nasceu até que subiu ao Pai −, é uma irradiação de exemplo, é a sinalização luminosa do
caminho que leva para Deus.

É lógico que Cristo nos diga: Segue-me!… Porque nos quer bem. Ele nos compara às
ovelhas que Ele, o Bom Pastor, conduz com segurança entre brumas, penhascos e perigos,
até o lugar do repouso. Ele é o Bom Pastor, que anda na frente, marcando o rumo com as
suas pegadas.

Se nos acostumarmos a ler e meditar todos os dias o Evangelho, para conhecer cada
vez mais a fundo a vida e o exemplo de Cristo, entenderemos (e praticaremos) o que dizia
São Paulo:

Progredi no amor, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se
entregou como oferenda e sacrifício de suave odor (Ef 5, 2).

O Amor cristão não é fumaça nem perfumaria; não é uma teoria, não é uma paixão
que arde e se evapora. Ou ele se manifesta por obras e de verdade – com frase são João (1
Jo 3, 18) – ou é uma miragem. Deve se concretizar na prática das virtudes: deve ser um
amor generoso, compreensivo, dedicado, paciente, constante, forte na adversidade,
caridoso, gentil, prestativo, e justo e discreto… Um amor que cada dia cresce na entrega a
Deus e ao próximo.

Eu sou a Vida. Com o olhar e o coração fixos no Menino, pensemos na terceira coisa
que Ele nos diz: Eu sou a Vida. Jesus é Deus que se faz homem, para que o homem, de uma
maneira que não há palavras para expressar, se faça «Deus», se torne – como dizia São
Pedro − participante da natureza divina (2 Pe 1, 11). É um pensamento que – desde os
primeiros séculos do Cristianismo − deixava pasmados os santos, inebriados de alegria e de
agradecimento.

Significa que Jesus nos traz a graça divina, a «graça do Espírito Santo», que nos une
intimamente a Ele e nos faz participar da sua própria Vida:

Da sua plenitude – diz São João – todos nós recebemos, e graça sobre graça. Pois
a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (Jo 1, 17-18).

A graça do Espírito Santo, recebida pela primeira vez no Batismo, nos faz renascer
para uma vida nova, transformando-nos em filhos de Deus. O Novo Testamento traz
expressões belíssimas desse mistério. Por exemplo, São João afirma que a graça nos dá o
poder de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1, 12). E São Paulo declara, com grande alegria,
que, com a graça do Espírito Santo, recebemos o espírito de adoção como filhos, pelo qual
clamamos: Abbá, Pai! Papai! (Rom 8, 15)

Jesus foi e será sempre a fonte de toda a graça, uma «fonte» que não para de jorrar.
Aquele que tiver sede, venha a mim e beba (Jo 7, 37), diz-nos. E nos promete derramar em
nós, sem medida, o Espírito Santo, amor de Deus que santifica.

As sete fontes

Jesus é como um manancial de onde brotam as sete fontes pelas quais nos vem
principalmente a graça: os sete Sacramentos. Cada um deles nos une a Deus (e aos irmãos)
de uma maneira própria.

O Batismo purifica-nos da culpa original e nos transforma – como víamos − em filhos
de Deus; [Cristian: o Crisma é o óleo perfumado, e a Crisma é o Sacramento] Crisma dá-nos
a força do Espírito Santo para sermos cristãos responsáveis, maduros e ativos no
apostolado; a Reconciliação ou Confissão cura a alma doente e ressuscita a que está morta
pelo pecado; a Eucaristia une-nos intimamente ao Sacrifício redentor de Jesus, que se faz
Alimento, vida da alma, e oferece companhia de Amigo no Sacrário; o sacramento da Ordem
faz com que os que recebem a ordenação sacerdotal (bispos e presbíteros) sejam
instrumentos vivos de Cristo sacerdote, ajudados pelo ministério dos diáconos; o
Matrimônio implanta a poderosa semente da graça sacramental e a caridade de Deus no
amor dos esposos e dos pais; e a Unção dos Enfermos é a mão carinhosa de Jesus, que nos
ergue da doença, ou – quando é o caso – nos encaminha definitivamente para o Céu.

E, assim, os sete Sacramentos, juntamente com as virtudes e com a força poderosa da
oração – que é a respiração vital da alma do cristão – vão-nos identificando com Cristo,

vão nos transformando nele, fazem com que pensemos como Cristo, sintamos como Cristo,
amemos como Cristo, vivamos como Cristo. Isto é a vida cristã.

Depois de pensar nessas realidades, não acha que o Natal é o momento certo para nos
perguntarmos, diante de Jesus Menino: «Eu vivo como filho de Deus? A minha oração é uma
oração de filho, cheia de entrega e de confiança? Posso dizer que o meu temor é filial, ou
seja, que não temo que Deus me abandone ou me castigue, mas temo só magoá-lo, ofendê-lo?

Cumpro os mandamentos com carinho de filho, ou com a má vontade do forçado?
Tenho delicadezas de afeto filial para com Deus, para com Nossa Senhora? Enfim, eu
poderia pôr o adjetivo filial em tudo o que penso, sinto e faço em relação a Deus?»

Com a ajuda do Menino-Deus e da sua Mãe santíssima, nós podemos viver assim.
Pensemos, então nesta realidade: em cada Natal, Deus chega muito perto de nós; em cada
Natal, Jesus – ultrapassando as barreiras do tempo – leva-nos para junto do Presépio; em
cada Natal, Maria, a Mãe, oferece-nos o Menino, sob o olhar sorridente de José. E, em cada
Natal, Jesus também sorri para nós e nos pergunta: «Será agora? Será desta vez…? Confia»
– diz-nos –, «eu nasci para te ajudar»

8. A ESTRELA DOS MAGOS

Uns magos vieram do Oriente

Em todo presépio que se preze, sempre estão presentes as figuras dos três Reis
Magos, montados em seus camelos e com um cortejo de pajens e oferendas. Eles avançam
pela estrada que leva a Belém. Quantos de nós não fizemos avançar suas figurinhas de barro
no presépio, um centímetro por dia, até colocá-los aos pés de Jesus Menino na data em que
a Igreja comemora a sua chegada, seis de janeiro.

O Evangelho (cf. Mt 2, 1-10) não diz se eram mesmo três, nem de que país procediam.
Mas usa uma expressão – «magos» − que naquele tempo designava, no Oriente, homens
sábios, homens de ciência e estudo, conselheiros de reis (talvez por isso o povo cristão usou
chamá-los de «Reis» Magos). Diante deles, marcando o rumo, brilhou no início do caminho
uma estrela, que logo se ocultou e reapareceu mais brilhante quando já se aproximavam de
Belém.

O Evangelho de são Mateus resume assim aquela aventura:

Tendo nascido Jesus em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que uns
magos vieram do Oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: «Onde está o rei dos judeus
que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo».

A primeira coisa que dizem é que aquela longa viagem foi feita porque viram a sua
estrela, e que ela lhes indicou um caminho e uma meta: ir ao país dos judeus para adorar o
Messias Rei. Fazia mais de mil anos que esse Rei universal fora anunciado pelos profetas,
inclusive por um profeta pagão, o amonita Balaão: Uma estrela sai de Jacó, um cetro
levanta-se em Israel (Nm 24, 17). Disso, no Oriente, muitos tinham ouvido falar mais ou
menos confusamente. E os Magos sabiam, e aprofundaram na pesquisa.

Mas voltemos à breve frase com que os Magos, ao chegar a Jerusalém, explicaram a
sua peregrinação: Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo. Muitas luzes podemos
tirar de tão poucas palavras. Há aí dois verbos – vimos e viemos −, que resumem tudo o que
aconteceu. Retratam a grandeza da alma dos Magos e nos sugerem coisas importantes, se
as soubermos escutar.

«Vimos a sua estrela»

Não foi fácil ver aquela estrela. Não no sentido de captá-la fisicamente com os olhos,
pois foi precisamente por perceberem a cintilação de uma estrela nova que ficaram
intrigados, e começaram a pesquisar e a perguntar-se o que seria aquilo. Difícil foi querer
ver mesmo, quando o significado da estrela foi ficando claro. Porque era uma estrela que
anunciava e lançava um apelo: mostrava e pedia; era bela, mas comprometia. E, com aquilo
que compromete, é fácil fazer-se de desentendido.

Para eles, os Magos, foi uma chamada, e também o é para nós. Do alto do céu do
Presépio, Deus parece dizer-nos: «Por acaso você pensa que não tem estrela? Acha que Eu
não conto com você nos meus planos? Pensa que existe algum filho de Deus que não tenha
uma missão a cumprir nesta terra? Ou será que você veio a este mundo por engano, sem
finalidade?»

A minha estrela é a minha vocação, ou seja, a luz que indica a missão que Deus me
confia na vida. Quando descobrimos essa luz, fica claro o sentido da nossa existência: todas
as peças da vida – como as pedras de um mosaico – passam a ocupar o seu lugar: as alegrias
e as tristezas, o passado e o presente, os sonhos, o trabalho, o amor, as dificuldades, tudo…,
tudo fica mais claro e se harmoniza. Mas se não sabemos qual é a nossa estrela, essas peças
não passam de um amontoado de cacos.

Vejamos um exemplo. Quando um casal cristão descobre que o seu casamento é uma
vocação, e que o próprio Deus lhes confiou uma grande missão – a bela missão de fazer, de
edificar uma família –, esse casal viu a estrela. Em qualquer momento de crise, de
dificuldade ou de cansaço, o coração lhes dirá: «Olha para a estrela. Ela te marca o rumo.
Ela vai te esclarecer e te recordará que Deus te chama, conta contigo e te ajuda. Sê fiel à tua
estrela».

Seguir a estrela, porém, não é fácil, porque nem sempre se vê brilhar: frequentemente
fica encoberta pela escuridão, por nuvens densas. Assim aconteceu com os Magos. Viram a
estrela no Oriente. Perceberam o que ela indicava e não desviaram disso o coração. Ao
contrário, prepararam logo a viagem – que ia ser longa e penosa – e começaram a caminhar,
deixando a vida cômoda para trás. A estrela marcou-lhes inicialmente a direção, revelou lhes

o destino, estimulou-os na partida, mas depois desapareceu.

O caminho foi longo e áspero. Passaram por desertos sem uma gota de água;
passaram por montanhas escarpadas, cheias de gelo, de neve e de abismos ameaçadores;
muitas vezes dormiram ao relento, comeram mal, passaram frio e tiveram medo; e, por
serem humanos, experimentaram a tentação de desistir. Pensavam: «Será que vimos claro,
ou foi ilusão?» Outras vezes: «Será que vale a pena?» Outras: «Será que Deus pode

pedir-nos tanto sacrifício?

Por quê, para quê?»

Mas nada os deteve. Continuaram a caminhar, mesmo sem verem nada. Não traíram a
estrela!

«Vimos e viemos»

É tocante fitar os Magos, cansados, exaustos, empoeirados, chegando a Jerusalém e
dizendo com simplicidade, como a coisa mais natural do mundo: «Vimos» e «viemos».
Quantas vezes nós podemos pronunciar essas mesmas palavras? Quantas vezes nós não
vimos luzes de Deus que nos chamavam – faz isso, ajuda aquele, muda de vida, abandona
essa má companhia ou esse mau hábito, esse vício… –, e, infelizmente, fizemos de tudo para
adiar, para deixar de lado, para não ir?…

Continuemos meditando. Os Magos já chegaram à que julgavam ser a meta, a capital
da terra dos judeus, mas justamente lá as coisas ficaram ainda mais complicadas. Em
Jerusalém, perguntaram pelo recém-nascido rei dos judeus e ficaram perplexos, porque lá
ninguém sabia de nada. Nem os sacerdotes, nem o rei Herodes, nem o povo. Devem tê-los
tomado por malucos. Mas, apesar disso, os Magos não desconfiaram da estrela só porque o
povo de Jerusalém não os entendia ou porque os considerava ingênuos, doidos ou fanáticos.

Também nós, hoje em dia, devemos ter a coragem de não nos abalarmos se as
pessoas, se o ambiente, se os parentes, não entendem os nossos ideais cristãos.

Compreendamos e amemos a todos, também aos que não nos compreendem, mas não
afastemos os olhos da estrela. É tão comum no mundo a cegueira para as coisas de Deus!

Os Magos, firmes na sua fidelidade, só se preocuparam em indagar dos sábios de
Jerusalém qual era o lugar do nascimento do Messias anunciado pelas profecias; e, quando
lhes disseram que era a cidade de Belém, para lá se encaminharam em seguida, com a
mesma determinação com que tinham saído de casa e enfrentado a dureza do caminho.
Então:

A estrela que tinham visto no Oriente os foi precedendo, até chegar onde estava
o Menino, e ali parou. A aparição da estrela os encheu de profundíssima alegria.

É maravilhoso! Deus sempre cumula de alegria os que se esforçam por ser fiéis,
especialmente se a fidelidade lhes custa sangue, suor e lágrimas. Deus se lhes mostra então
com mais amor e se lhes entrega.

Vimos e viemos. Temos muito que pensar. Quantas coisas não nos sugere o exemplo
dos Magos. Peçamos a Maria e José – fidelíssimos à sua vocação e à sua missão − que nos
ajudem a ser homens e mulheres que sabem ver… e ir. Tomara que sempre possamos dizer:
«Estou fazendo isto ou aquilo e me comportando assim por uma razão muito simples:
porque vi, vi mesmo a estrela e entendi a razão porque Deus me pôs neste mundo».

9. A ADORAÇÃO DOS MAGOS

«Prostrando-se, o adoraram»

Neste último capítulo, vamos continuar a olhar para os Magos, contemplando-os
agora na cena da adoração, que o Evangelho descreve assim: Entrando na casa, acharam o
menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram (cf. Mt 2, 9-12). Muitos
pintores famosos deixaram-nos quadros belíssimos dessa cena. Ajoelhados ou inclinados
perante o Menino Jesus, os Magos o adoram, com o olhar extasiado, e lhe oferecem os
presentes que trouxeram.

No centro desta bela cena, aparece uma palavra que merece a nossa reflexão: a
palavra «adorar». É uma das atitudes mais elevadas, mais sadias e mais necessárias para
nós, os homens, especialmente nos nossos tempos. Não duvide de que tudo iria muito
melhor, em nossa vida e no mundo, se aprendêssemos a adorar a Deus.
Adorar é uma palavra cheia de conteúdo. Significa:

– em primeiro lugar, reconhecer Deus e dizer-lhe: Tu és o meu Deus e o meu
Senhor!
(o que são os interrogantes?)

─ depois, significa admirar com alegria a imensa grandeza, beleza e bondade de
Deus.

─ em terceiro lugar, significa inclinar-se diante dEle com respeito e com
obediência de filhos.

─ e, ainda, em quarto lugar, significa fazer da vida um contínuo ato de
agradecimento ao Senhor.

São vários reflexos de uma mesma luz, mas todos estão unidos, se entrecruzam,
formam uma única atitude.

Adorar é reconhecer

Adorar, em primeiro lugar, é reconhecer. Quando dizemos «Tu és o meu Deus!»,
estamos reconhecendo: «Eu não sou o meu deus!» Já pensamos nisso? Evidentemente,
nenhum de nós comete a tolice de dizer com a boca: «Eu sou Deus», mas muitos de nós o
dizemos com a vida.

Sim. Porque nos dedicamos a adorar-nos a nós mesmos e queremos colocar tudo aos
nossos pés. Talvez lembremos que, quando o diabo tentou Jesus no deserto e lhe pediu que
o adorasse, Ele o repeliu dizendo: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor
teu Deus, e só a Ele servirás (Lc 4, 8).

Nós, porém, adoramo-nos muitas vezes a nós mesmos. Por exemplo, quando
pensamos: «Primeiro procuro o que eu quero, obedeço à minha vontade, sirvo o meu
interesse, e depois verei se tenho tempo de pensar no que Deus quer». Ou, então: «Na
conduta, na moral, no casamento, no namoro, etc., eu digo o que é certo e errado, o que
tem importância e o que “não tem nada”; eu é que defino a minha moral e “escolho” a
minha religião, e não preciso nem de perguntar a Deus nem de que me falem de Deus e da
lei de Deus». Os Magos não quiseram ser deuses: Viemos adorar!

Adorar é conhecer, amar e agradecer

Pense que só podemos adorar bem a Deus quando o conhecemos bem. Não se pode
adorar uma incógnita ou uma neblina. Conforme o vamos conhecendo, Ele nos cativa e nos
deslumbra com a sua bondade, beleza e verdade; dia após dia, causa-nos mais admiração e
desperta mais amor; sentimos desejos cada vez mais inflamados de compreendê-lo, de vê-lo
– procurarei, Senhor, o teu rosto!, dizemos, com o Salmo (26, 8) –, e entendemos que a
Bem-aventurada Isabel da Trindade afirmasse: «A adoração é o êxtase do amor».

Necessitamos conhecer a Deus, e o Natal nos abre caminho para isso. A vinda de
Cristo ao mundo fez com que o rosto de Deus, que nós não podemos ver, se tornasse visível
no rosto de Jesus: Quem me vê, vê o Pai (Jo 14, 9). Essa é uma das grandes alegrias que nos
infunde o mistério da Encarnação do Filho de Deus. São João Apóstolo e Evangelista
escrevia, cheio de gratidão: Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único, que está no seio do
Pai, ele no-lo deu a conhecer (Jo 1, 18). Por isso, quem quiser ver Deus deve olhar intensa e
amorosamente para Cristo. Deve começar por conhecê-lo muito mais intimamente e
detalhadamente.

Bastaria, para isso, que o contemplássemos devagar tal como nos aparece lendo os
Evangelhos. O nosso coração arderia então de amor, e em nós brotaria uma sede de estar
com Ele tão intensa, que ficaríamos felizes só de pensar nele, de saber-nos perto dele, e
sobretudo de encontrá-lo na loucura de amor que é – como dizia São Josemaria – a
Eucaristia.

Então, passaríamos a vida agradecendo o dom que Deus nos faz de si mesmo. A nossa
alma, cheia de ternura e gratidão, adoraria comovida o Menino-Deus que nos chama pelo
nosso nome e nos estende os braços no presépio de Belém.

Adorar é confiar e obedecer

Mais um pensamento. Quem ama, confia. Quando nos inclinamos para Jesus com
amor, nos abandonamos ao seu amor. Acolhemos com confiança tudo o que Ele nos pede,
tudo o que nos ensina, tudo o que nos manda. E desse amor nasce o desejo de agradá-lo e
obedecer-lhe sempre.

São poucas as pessoas que entendem que obedecer a Cristo e à sua Igreja é amá-lo.
No entanto, Jesus disse-nos uma e outra vez que a obediência é o segredo do verdadeiro
amor: Se me amais, guardareis os meus mandamentos (Jo 14, 15). Se guardardes os meus
preceitos, sereis constantes no meu amor (Jo 15, 10).

E, ao falar da Igreja que Ele fundou – a minha Igreja, como a chamava –, dizia aos
Apóstolos, chefes dessa Igreja: Quem a vós ouve, a mim ouve; quem a vós despreza, é a mim
que despreza (Lc 10, 16). Infelizmente, a obediência a Deus e aos representantes de Deus é
como uma espécie de mendiga desagradável, que, na prática, muitos cristãos desprezam.
Precisamos resgatá-la de preconceitos, se quisermos alcançar o amor.

Os dons dos Magos

Uma última reflexão. Conta o Evangelho que os Magos, como ato de adoração e
reconhecimento, depois de prostrar-se diante de Jesus, abriram os seus tesouros, e
ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. Cada presente tem, pelo menos, um
significado. Percebemos qual pode ser?

Ao depositarem o ouro aos pés de Jesus, queriam significar: «Todo o ouro do mundo,
ao lado de Jesus Menino, é pó. Todas as coisas materiais, se não nos levam a Deus, se não as
usamos de acordo com o espírito de Cristo, para louvar e servir a Deus e amar-nos
mutuamente, são lixo, um lamaçal em que nos atolamos». Só o amor a Deus e ao próximo
transforma as coisas materiais, as tarefas materiais, as preocupações corriqueiras, o dever
de cada dia, em ouro puro aos olhos de Deus.

O incenso que se queima e desaparece, enquanto se eleva em nuvens perfumadas, é
um símbolo do amor que se entrega. Quando, na Igreja, se oferece incenso a Deus, é como
se todos nós disséssemos: «Não há vida mais bela, não há coração mais belo, do que aquele
que se queima – consumindo o bagaço do egoísmo – e se transforma em perfume oferecido
a Deus».

Também colocam mirra aos pés de Jesus. A mirra era muito valiosa, mas muito
amarga e forte de sabor. A Jesus, quando estava no Calvário, ofereceram-lhe uma bebida
com mistura de mirra, como um narcótico que ele não bebeu, e a usaram também para
embalsamar o seu corpo. Por isso, a mirra foi vista como um anúncio da Paixão. Talvez esse
dom significasse, da parte dos Magos, numa antevisão, o agradecimento a Jesus pelo
infinito amor com que ia morrer por nós na Cruz. E sugere-nos também que o mistério da
Cruz não pode estar ausente da vida do cristão, que devemos aprender a ofertar
amorosamente a Jesus as nossas dores – aceitando a vontade de Deus – e os nossos
sacrifícios voluntários.

E nós?

Após meditarmos sobre os presentes dos Magos, nos perguntamos: «E os meus
presentes, quais são?» Para muitas pessoas, o Natal só é visto como tempo de compras e
presentes. Nós deveríamos vê-lo, sim, como um tempo de «presentes», mas acima de tudo
de presentes espirituais: presentes da alma, que são os únicos que podem fazer aflorar um
sorriso nos lábios de Jesus, Maria e José.

Que presentes da alma? É bom lembrar que muitos oferecem a Jesus, nesses dias de
Natal, uma confissão bem-feita, uma decisão definitiva de converter-se; orações especiais e
sacrifícios: pequenas penitências um pouco mais custosas. De modo particular, façamos o
propósito de plantar alegrias em todos os corações que encontrarmos nesse tempo de
Natal; e de realizar iniciativas, atos de serviço, pequenos ou grandes, que possam aliviar
pessoas carentes, desempregados, crianças, velhos, doentes…, lembrando-nos de que Jesus
dizia: Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, é a mim que o fizestes
(Mt 25, 40).

Será que não podemos fazer mais alguma dessas coisas? No Tempo de Natal,
perguntemo-nos isso enquanto ficamos junto de Maria e de José, olhando para o Menino.
Ele também olhará para nós e, se continuarmos a contemplá-lo, abrirá no nosso coração
uma fresta por onde vai entrar – para lá ficar como um raio de luz − o espírito do Natal.
Deus nos conceda a todos essa graça!




NOVENA DO NATAL

NOVENA DO NATAL
Pe. Francisco Faus
EXPLICAÇÃO DA NOVENA

A finalidade desta novena – baseada no Evangelho e na contemplação das figuras
do presépio – é ajudar-nos a preparar com fervor a vinda de Jesus no Natal. Pode nos
auxiliar a ter um encontro cheio de fé e de amor com Cristo que vai nascer. Vale a pena
pedir-Lhe desde já, pela intercessão de Maria e de José, a graça de que este Natal seja para
todos nós um novo nascimento espiritual, uma renovação da nossa vida cristã.
Este livreto apresenta nove “encontros” (que são designados como “primeiro dia”,
“segundo dia”…), com um roteiro dialogado de meditação e oração para cada um deles. Os
que desejarem fazer uma novena em sentido próprio, de nove dias, bastará que sigam pela
ordem a seqüência dos textos. Os “dias” da novena não precisam ser consecutivos: pode
haver intervalos entre um e outro.
Os que só puderem fazer uma preparação mais breve do Natal – dedicando-lhe
menos dias –, podem escolher livremente os “dias” que acharem preferíveis (três deles,
quatro, etc.). Parece recomendável começar todas as preparações usando o texto do
“primeiro dia” e terminar com os dos dias “oitavo” (que contém um exame de consciência)
e “nono” (que oferece a contemplação de Jesus recém-nascido). No próprio texto há
sugestões para essas escolhas; contudo não passam de sugestões, pois podem ser alteradas
livremente a critério dos que fazem a novena.
Cada “dia” da novena encerra-se com uma oração. Pode-se acrescentar, depois, se
os participantes acharem conveniente:
– um “gesto concreto”, definido de comum acordo entre os participantes, como
fruto prático da meditação realizada;
– um cântico apropriado.

Primeiro dia (primeiro dia de todas as “novenas”)
O ANJO ANUNCIA A MARIA (Lucas 1, 26-38)

TODOS. – Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados
pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar-nos dignamente para
acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
LEITOR 1. – O Natal começou no coração da Virgem Maria. Hoje, neste primeiro
dia da preparação para o Natal, depois de nos lembrarmos de que estamos na presença de
Deus – que sorri para nós e nos quer falar ao coração –, ficaremos olhando atentamente
(com os olhos ou com a imaginação) para a figura de Nossa Senhora, que está no Presépio,
tão bela!, e procuraremos ver o seu coração, que é o lugar onde o Natal amanheceu e a
Redenção começou a despontar.
LEITOR 2. – Eu acho que será muito bom termos presente, nestes dias, que a
Novena é, acima de tudo, um tempo diário de recolhimento, de meditação, de oração… O
Natal foi anunciado com uma grande luz – a que refulgiu na noite do Nascimento de Jesus,
envolvendo os pastores –, e creio que todos desejamos que, neste ano, a luz do Natal
também nos ilumine com fulgores novos, até mesmo surpreendentes, que nos envolva no
seu resplendor e fique como calor de vida nova dentro do nosso coração.
TODOS – Senhor, nós desejamos e pedimos isso. Queremos que, neste ano, o
Natal deixe nos nossos corações uma luz nova de fé e um novo calor de esperança e de
amor: de amor a Jesus Cristo e aos nossos irmãos.
LEITOR 1. Pois bem. É com essa disposição que vamos dar início à nossa
meditação. O Natal principiou – conta o Evangelho de São Lucas – quando o anjo Gabriel
foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a uma virgem desposada
com um homem chamado José, da casa de Davi, e o nome da Virgem era Maria. E
continua dizendo que, ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: Ave, ó cheia de graça, o
Senhor está contigo!…
LEITOR 3. – Imaginam o que deve ter sentido Nossa Senhora?
LEITOR 1. – A Virgem Maria era tão humilde, que o elogio do Anjo a deixou
perturbada. Deve ter corado: Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que
significaria semelhante saudação. Mas o mensageiro de Deus apressou-se a tranqüilizá-la:
Não tenhas receio, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Hás de conceber no teu seio
e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e se chamará Filho do
Altíssimo… e o seu Reino não terá fim.
LEITOR 2. – É impressionante ver como, após anunciar a Maria que ela fora
escolhida por Deus como Mãe, para ser a Mãe de Deus, o Anjo ficou aguardando – com
toda a delicadeza – que ela desse a resposta, esperou pelo seu livre consentimento. É
tocante verificar como Deus ama e respeita a liberdade, esse grande dom que Ele nos
concedeu… Sem liberdade – repetia um grande santo –, não se pode amar.
TODOS: Senhor, fazei que compreendamos que a liberdade é boa e santa,
quando a usamos para escolher a verdade e o bem, mesmo que isso nos custe grandes
sacrifícios; e que, pelo contrário, ela se corrompe quando a usamos só para servir ao
nosso prazer, ao nosso interesse, ao nosso egoísmo.
LEITOR 1. – Ao anúncio do Anjo, Maria respondeu dizendo “sim”, um “sim” total
a Deus: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. Mas antes de
dizer sim, fez uma pergunta: Como se fará isso? Aqui temos duas palavras que, na boca e
no coração de Maria, têm o brilho de uma estrela: a palavra COMO e a palavra SIM. Que
acham se pensamos nelas com calma, e tentamos captar um pouco das luzes que podem
trazer à nossa alma?
LEITOR 2. – Será ótimo. Na verdade, o anúncio do Anjo e a resposta de Maria
entendem-se bem quando se sabe – como nós sabemos – que Maria tinha consagrado a
Deus todo o seu ser: o corpo e a alma. O seu corpo era um templo puríssimo, reservado
virginalmente para Deus; e também a alma imaculada de Nossa Senhora estava entregue
sem reservas nas mãos do seu Senhor.
TODOS. – A cheia de graça era toda de Deus! Quando Deus a contemplava,
via-se a si mesmo refletido nela, como num espelho sem mancha e sem sombra. Que
Maria nos ajude a ter uma alma pura, semelhante à dela.
LEITOR 1. – Sabendo da entrega virginal de Maria, compreendemos melhor que,
quando o Anjo acabou de lhe comunicar que seria a Mãe do Filho do Altíssimo, ela
perguntasse: Como se fará isso, se eu não conheço homem?
LEITOR 2. – É claro. Perguntou como por isso mesmo – porque era difícil entender
que Deus a quisesse virgem e mãe ao mesmo tempo– ; mas eu acho que também perguntou
por outro motivo, muito bonito e profundo: porque ela queria que fosse feita a vontade de
Deus, e não a sua vontade…, e não entendia como poderia ser feita. O como da Virgem
Maria significava precisamente: “Deus me pede isso. Eu não vejo a maneira de fazê-lo.
Mas quero ver, quero mesmo, porque desejo abraçar com toda a minha alma a vontade do
meu Deus. É por isso que pergunto”.
LEITOR 3. – O como de Maria foi uma pergunta de amor. E justamente isso nos faz
lembrar, com tristeza, que essa mesma pergunta, essa mesma palavra – como – é
pronunciada muitas vezes num sentido completamente contrário, como recusa ao amor.
LEITOR 2. – Infelizmente é assim. Muitos perguntam como só para tirar o corpo,
para desculpar-se e omitir-se…, quando não querem dar ou dar-se, quando não querem
amar.
TODOS.– Jesus, livrai-nos da covardia de fugir ao dever, de querer escapar das
exigências difíceis e sacrificadas do amor.
LEITOR 2. – Dizia que muitos perguntam como só para tirar o corpo. É, por
exemplo, o caso da pessoa a quem Deus pede que dedique um pouco mais de tempo à
oração, à formação religiosa ou a colaborar com uma obra de serviço aos necessitados…; e
ela responde: “Como?” Mas é um como que, no caso, significa: “Como é que posso fazer
isso, se não tenho tempo e, sobretudo (deveria acrescentar, para ser sincera), não tenho
vontade?” Outro exemplo: o caso da esposa que pede ao marido que converse mais com um
dos filhos, o mais difícil, e ele se esquiva dizendo: “Como?” Um como que ele mesmo
explica, quando acrescenta: “Mas como vou fazer isso, se já tentei, se o garoto não me
escuta, se, além do mais, você já sabe que não tenho jeito para essas coisas…”
TODOS. – Maria, Mãe nossa, livrai-nos dessa desculpa de não ter tempo e de
não ter jeito… Por causa dessa desculpa, muitas coisas boas ficam sem fazer, morrem
antes de ter começado.
LEITOR 2. – Mas é claro que Maria nos ensina a maneira boa de perguntar como,
que é a das almas generosas que acolhem com alegria tudo o que Deus lhes sugere, e
igualmente as solicitações dos familiares, amigos, colegas, que precisam da sua ajuda.
Assim fez Maria. Seu coração estava ansioso por dizer sim, e como não compreendia,
estava ansiosa para ver como o poderia concretizar…
LEITOR 3. – Eu gosto de ficar imaginando e meditando e repetindo o que se
passava no coração de Maria: “Deus pediu-me e aceitou a oferenda do meu amor virginal.
Agora me pede ser mãe. Eu o amo muito, e amo tudo o que Ele quiser. Ele sabe disso. E
Ele também me ama. Por isso vai ajudar-me… Eu sei que Deus nunca abandona as almas de
boa vontade!”
LEITOR 1. – Foi isso que aconteceu. Deus não a deixou no escuro. O Anjo deu-lhe
a resposta esclarecedora: O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá
sobre ti a sua sombra. Por isso mesmo é que o Santo que vai nascer de ti se chamará Filho
de Deus. Também a tua parente Isabel – acrescentou Gabriel – concebeu um filho na sua
velhice e está já no sexto mês, ela a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a
Deus. E Maria respondeu: Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.
De todo o coração, repleta de alegria, Maria disse: Faça-se! Sim!
LEITOR 2. – Agora vemos melhor que, ao perguntar como, Maria fez um primeiro
ato de amor. E, ao dizer sim, um segundo. Eu acho que, na nossa vida, o amor deverá
seguir, muitas vezes, as etapas do amor de Maria. Com o coração bem disposto, teremos
que começar primeiro por procurar e descobrir, sinceramente, qual é o melhor modo de
amar a Deus e aos outros; e logo a seguir – uma vez esclarecido isso – deveremos dizer sim.
Um sim que será bem concreto e prático… Porque o amor, ou é concreto, ou é uma ilusão.
TODOS. – É verdade. O sim do amor verdadeiro é concreto e, além disso, é sem
reservas, sem condições, sem limites.
LEITOR 2. – É tão fácil opor reservas ao amor de Deus e do próximo. Nós dizemos:
“Farei isso que Deus me pede só «se eu gostar», «se eu tiver vontade», «se não for
difícil»”… Maria não fez assim. Nós é que colocamos condições: “Vou dar isso a Deus, se
Ele me conceder o que lhe peço” (fazemos comércio!); “Vou ser amável com os outros, lá
em casa, se os outros forem amáveis comigo; se não, nada…”. Nós é que fixamos limites e
marcamos prazos: “Vou ser fiel aos amigos, enquanto for agradável andar com eles”, “Vou
à Missa, mas não sempre, nada de obrigações”, “Claro que pretendo ser fiel aos meus
compromissos…, desde que não fiquem pesados”…
TODOS. – Santa Mãe nossa, nós vos pedimos que nos ajudeis a responder a
tudo que Deus nos pedir com um “sim” total, sem restrições nem limites.
LEITOR 3. – Eu me comovo pensando como o sim de Maria foi puro. Quero dizer
que foi total e para sempre. Ao longo da sua vida, manteve o mesmo brilho, a mesma força
e a mesma alegria em todas as circunstâncias, nas fáceis e nas difíceis, nas felizes e nas
dolorosas. As dificuldades nunca anularam nem enfraqueceram esse seu sim, que ela
manteve desde o dia da Anunciação até o final, até o momento em que, ao pé da Cruz, se
uniu ao sacrifício redentor do seu Filho.
LEITOR 2. – Ela não era como nós, que facilmente, nas dificuldades,
transformamos o sim em um não. Nas próprias dificuldades, ela via apelos de Deus, que a
convidavam a dizer um sim ainda mais forte: a ser mais generosa do que antes, mais
humilde, mais desprendida, mais caridosa, mais compreensiva… E tudo, com a plena
confiança de que Deus – que a chamara – não deixaria de ajudá-la.
TODOS. – Ela nunca se cansou de dizer sim, nem mesmo quando lhe custou
sangue. Foi para o Céu sorrindo, com o seu maravilhoso sim nos lábios e no coração…
LEITOR 2. – Esse foi o sim que uniu o Céu e a terra. No mesmo instante em que
Nossa Senhora o pronunciou, o Verbo se fez carne – no seu seio puríssimo – e habitou
entre nós. Deus se fez criança por nós. O Natal começou a existir.
LEITOR 1. – O coração de Maria mostrou-nos hoje uma grande luz. Acho que tudo
se pode resumir numa belíssima palavra: fidelidade. Vamos guardar na nossa alma o
exemplo da nossa Mãe Santíssima, vamos aprofundar nessa palavra – fidelidade – mais
preciosa do que o ouro, e – como fazia Maria – vamos meditá-la no nosso coração. Será
este o nosso primeiro passo rumo ao Natal.
TODOS.– Senhor Deus, ao anúncio do Anjo, a Virgem imaculada acolheu o vosso
Verbo inefável e, como habitação da divindade, foi inundada pela luz do Espírito Santo.
Concedei que, seguindo o seu exemplo, abracemos humildemente a vossa vontade. Por
Cristo, nosso Senhor

Segundo dia (pode ser segundo dia de todas as “novenas”)
SÃO JOSÉ (Mateus 1, 18-25 e 2, 13-23)

TODOS. – Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados
pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar -nos dignamente
para acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho,
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

LEITOR 1. – Hoje, no segundo dia da Novena, vamos olhar para a figura de São
José. Vejam: no Presépio, ele está sempre um pouco recuado, quase na sombra, olhando
para o Menino e amparando Maria e Jesus com a sua vigilância amorosa,. Que figura, São
José! O Evangelho o define com uma só palavra: Era JUSTO. Vale a pena meditarmos
nisso…
TODOS: Senhor, ajudai-nos a aprender do exemplo de São José!
LEITOR 2. – Penso que nos ajudará lembrar que, quando a Bíblia diz de alguém
que é justo, quer dizer que é bom, que é reto, que está sempre “ajustado” com Deus, ou
seja, que está sempre em plena sintonia com Deus, com os seus preceitos e os seus
pedidos…, numa palavra, que é santo; e que, por isso mesmo, é também íntegro e honesto
com os outros.
LEITOR 3. – Que bonito! Parece-me que será ótimo meditarmos sobre o Natal de
São José, porque ele teve um caminho sofrido, cheio de sombras e de luzes, até chegar ao
Natal… E penso que poderemos ver como ele foi reto, no meio das dificuldades, como foi
leal com Deus e com Maria naqueles momentos desconcertantes em que não podia entender
o que estava acontecendo.
LEITOR 1. – Realmente, não foi nada fácil para ele. Lembremo-nos do Evangelho.
São Mateus conta que, depois de Maria ter concebido por virtude do Espírito Santo, José,
seu esposo, que era um homem justo e não queria infamá-la, resolveu deixá-la
secretamente… Precisamos refletir bem sobre essas palavras, pois não é na hora que se
apanha todo o seu sentido. O que fica claro desde o começo – porque o Evangelho o diz
explicitamente – é que José resolveu abandonar Maria secretamente porque era justo,
precisamente porque era justo: esse foi o motivo. Deus – que inspirou o texto sagrado de
São Mateus – quis mostrar-nos com essas palavras que a resolução de José foi um ato de
bondade, de retidão.
LEITOR 3. – Com certeza foi isso! José percebeu a gravidez de Maria, que era um
tremendo mistério entre ela e Deus. E aqui começou a sua reação, que eu acho comovente.
Em nenhum momento quis pensar mal dela. Nem por um segundo admitiu a possibilidade
de que nela houvesse a menor sombra de pecado ou de traição….
TODOS. – Ele a amava, ele a conhecia, ele percebia a pureza santíssima dos
olhos, dos gestos, da alma de Maria… Quem nos dera ter um coração tão nobre e
generoso como o dele!
LEITOR 2. – Olhando para Maria, José sentia-se envolto num mistério inefável que
o ultrapassava. E Deus… permitiu que sofresse… Eu acho que foi para que nós víssemos o
que é ser justo, o que é ser bom. Porque, não querendo nem por sombra pensar mal, a
primeira coisa que lhe veio à cabeça foi proteger Maria, não acusá-la. Nem pensou em se
proteger ou defender a si mesmo…
LEITOR 1. – Justamente pelo grande amor que tinha à Virgem Maria, para não
difamá-la, para não dar nem de leve a impressão de que a acusava, preferiu ficar
pessoalmente mal; passar – se assim o quisessem pensar os outros – por um irresponsável,
um covarde, que deixa a noiva grávida e não quer assumir… Dessa maneira, ela ficava
inocentada.
TODOS. – É isso mesmo! José preferiu sujar a sua própria imagem, antes que
profanar aquele amor santo, que o próprio Deus tinha feito nascer entre ele e Maria.
LEITOR 1. – Sim. Ser reto é isso: fazer o que a consciência indica como o melhor
caminho, o mais certo, o mais perfeito aos olhos de Deus, ainda que esse bom caminho nos
traga sacrifícios e prejudique os nossos interesses. José era reto porque agia por motivos
retos, puros (por amor, por fidelidade, por honradez, porque via aquilo como seu dever…), e
não se deixava arrastar por motivos “tortuosos” (nem pelo interesse, nem pela vaidade de
preservar a sua reputação, nem pelo comodismo de lavar as mãos e dizer “eu não sei de
nada”…).
TODOS . – Precisou de muita coragem!
LEITOR 3. – E de muita fé em Deus, como Maria. Aquilo era saltar no escuro. Era
lançar todo o seu futuro nas mãos do Senhor, e esperar que Ele cuidasse de tudo como um
Pai.
LEITOR 2. – Eu acho que a vida de José também se poderia resumir assim: foi um
homem justo, um homem de Deus que soube amar e, por isso, deu tudo, em silêncio, sem
procurar nada para si…
TODOS. – Deu a sua honra, renunciou aos seus planos pessoais, deu a vida…
Soube desprender-se totalmente de si mesmo por amor.
LEITOR 2. – Como custa o desprendimento, não é? Como é fácil deixar que o
interesse seja a motivação forte das nossas ações, dos nossos desejos, dos nossos
pensamentos, dos nossos projetos! Poucos dizem: “Vou fazer isto porque é bom, porque é
justo, porque é verdadeiro, porque vai fazer bem aos outros, porque Deus me pede.., ainda
que me contrarie, que me doa, que me exija sacrificar coisas que muito aprecio”.
LEITOR 3. – Quantos casais rezariam mais e lutariam melhor para superar
desavenças se pensassem assim, em vez de dizer que estão saturados, que não agüentam
mais, ou que chegou a hora de cada um “viver a sua própria vida”, ou de “aproveitar a vida
enquanto é tempo”… José não quis aproveitar nada. Só quis ser bom e fiel. E tudo por amor.
LEITOR 1. – Por isso Deus o amou com predileção. Passados os primeiros
momentos de angústia, o Senhor tranqüilizou-o. Enquanto assim pensava – diz o
Evangelho –, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: “José, filho
de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi concebido é obra do
Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará
o seu povo dos seus pecados”.
TODOS. – Que alegria deve ter inundado a alma de José, ao receber essa
mensagem! Com que carinho imenso, com que admiração, com que veneração olharia
para Maria, a partir daquele momento!
LEITOR 2. – E, com certeza, se antes já era justo e vivia em plena sintonia com a
Vontade de Deus, a partir desse instante iria ser ainda mais justo e reto. Vejam que a vida
de José se pode escrever com as mesmas palavras com que Deus lhe vai manifestando a sua
Vontade. Recebe as indicações de Deus com o coração aberto de par em par, e não perde
um minuto hesitando, negaceando… Ao contrário, na hora, com muita paz e serenidade,
com a segurança do homem de consciência pura, começa a pôr em prática o que Deus lhe
manifesta.
LEITOR 1. – Lembrávamos há um instante a primeira voz de Deus que ele ouviu:
Não temas receber Maria. E o que é que José fez?
TODOS – Despertando do sono, fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e
recebeu sua esposa. Obedeceu sem titubear.
LEITOR 2. – E é fantástico ver que sempre fez a mesma coisa. Quando Deus o
chamou para que fugisse para o Egito, livrando o Menino da perseguição de Herodes…
TODOS – … levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o
Egito.
LEITOR 3. – … E quando, após a morte de Herodes, Deus lhe pediu que voltasse
para a sua terra…
TODOS – … levantou-se, tomou o menino e sua Mãe e voltou para a terra de
Israel.
LEITOR 2. – Sempre a perfeita sintonia com a vontade de Deus!
LEITOR 1. – Esta é a grande lição que José nos dá hoje. Vamos pedir-lhe que nos
ajude a ser justos, a ser retos e a não torcer os caminhos da consciência com os desvios do
interesse e da vaidade; que nos ensine também a ser retos nos nossos juízos sobre os outros:
a não pensar precipitadamente nem julgar mal; que nos ensine a estar sempre em sintonia
com o que Deus quer. Pensemos que, se a partir de hoje a nossa história se pudesse escrever
um pouco mais em harmonia com a vontade de Deus, com o que Ele nos diz no fundo da
consciência, teríamos aproveitado muito bem este segundo dia da Novena.
TODOS. – Ó Deus de bondade, que nos destes Maria e José como exemplo,
concedei-nos imitar as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos
chegar um dia às alegrias da vossa casa. Por Cristo, nosso Senhor.

Terceiro dia (para a novena de nove encontros)
MARIA VISITA ISABEL (Lucas 1, 39-44)

Oração. Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados pela
intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar-nos dignamente para
acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
LEITOR 1. – Hoje vamos contemplar de novo a figura de Maria. Fixemos bem a
atenção nela. Lembremo-nos de que, no primeiro dia da Novena, nós a víamos abrindo as
portas do coração a Deus, pronunciando um sim puro e cristalino àquilo que o Anjo lhe
anunciava da parte do Senhor: anunciava-lhe que Deus, o Filho de Deus, vinha ao mundo
para nos salvar, e pedia à Virgem Maria que aceitasse ser a sua Mãe. Ela aceitou, e o Verbo
se fez carne no seu ventre imaculado e habitou entre nós.
TODOS. – Não custa muito imaginar como ficou extasiada, depois da
Anunciação. Tinha Deus no seu seio. Começava a amar o seu Deus como Mãe!
LEITOR 2. – Não acham que teria sido muito natural que ela se ensimesmasse,
ficasse concentrada em si mesma, se absorvesse nesse mistério inefável que já habitava
nela….?
LEITOR 3. – Sim, claro. Tinha motivos de sobra para ficar concentrada nisso, com
a cabeça e o coração fascinados pela graça recebida, pela missão que Deus acabava de lhe
confiar. Como não ficar pensando no Filho, no futuro, nesse porvir novo, que ela jamais
tinha imaginado?
LEITOR 3. – O impressionante é que não fez assim; quero dizer que não ficou
enclausurada em si mesma, pensando no seu mistério interior. Aí está a beleza da alma de
Maria! Não ficou ensimesmada, mesmo tendo tantas razões para fazê-lo.
LEITOR 1. – Foi isso exatamente o que aconteceu, e o Evangelho o descreve assim:
Por aqueles dias – isto é, logo depois da Anunciação –, pôs-se Maria a caminho e dirigiuse à pressa para a montanha, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias – o
marido da sua prima Isabel – e saudou Isabel… Será bom procurar entender por que fez
isso. O que a moveu a ir correndo à casa da sua prima Isabel?
TODOS.- Com certeza foi o seu amor, um amor tão grande que a fazia
esquecer-se de si e voltar-se com carinho para Deus e para as necessidades dos outros.
LEITOR 2. – É isso mesmo que o Evangelho nos mostra… No dia da Anunciação, o
Anjo Gabriel, para explicar a Maria que era possível tornar-se Mãe de Jesus e permanecer
virgem, deu-lhe – como víamos há dois dias – uma prova palpável de que nada é
impossível para Deus. A prova era que a sua parenta Isabel tinha concebido um filho na
velhice e estava já no sexto mês, ela a quem chamavam estéril. O Anjo mencionou isso só
de passagem, como ilustração do poder de Deus. Maria, porém, captou nessa notícia um
apelo: a prima Isabel, já idosa, estava para ter o seu primeiro filho; com certeza precisaria
de apoio, de ajuda… Bastou-lhe tomar consciência dessa necessidade, para se esquecer
imediatamente de si mesma e partir à pressa para ajudar Isabel….
LEITOR 1. – Aqui temos um exemplo encantador do amor de Maria pelo próximo:
tão delicado, tão generoso, tão pronto. Nestes dias passados, destacávamos algumas
palavras, cheias de luz, que nos ajudavam a meditar. Acho que hoje, contemplando Maria,
também podemos sugerir duas palavras, dois verbos que indicam qualidades do verdadeiro
amor aos outros: ADIANTAR-SE e ADIVINHAR.
LEITOR 3. – Que acham se começamos pela segunda palavra? Pensando no que
nos sugere a palavra adivinhar?
TODOS.– Vai ser ótimo pensar nisso! Já dá para perceber que essa reflexão
nos vai trazer uma mensagem muito positiva.
LEITOR 2. – De fato. Essa palavra, “adivinhar”, me faz lembrar que houve um
escritor cristão que dizia: “Amar é adivinhar”. Tinha razão. Quem não é capaz de adivinhar
o que o outro precisa, o que sente, o que o faz sofrer, não ama de verdade. Não se trata de
ser vidente nem de ter poderes paranormais. Basta ter carinho, porque então vemos…
LEITOR 3. – É mesmo. O marido que ama de verdade percebe, vê, que a mulher
precisa de um gesto de afeto, de um sorriso de agradecimento, de uma palavra de consolo…
A mulher vê que o marido precisa de bom humor lá em casa, de um ambiente positivo e
encorajador, que compense os dissabores profissionais… O irmão vê que a irmã menor – ou
vice-versa – precisa de uma ajudazinha no estudo, porque está aflita na véspera da prova…
LEITOR 1. – E, igualmente, poderíamos acrescentar que no trabalho, na rua, na
pobreza de muitos, na doença de outros, nos sofrimentos e aflições de tantos que nos
cercam, aquele que ama ouve uma voz silenciosa, um apelo mudo dirigido à sua capacidade
de ajudar, de consolar, de acompanhar, de fazer o bem… Ele adivinha!
TODOS. – Meu Deus, fazei com que sempre tenhamos os olhos abertos e o
coração sensível para as necessidades do próximo!
LEITOR 2. – Como seria triste que o nosso “aparelho receptor”, por causa do nosso
egoísmo, não captasse essa longitude de onda… Que só apanhasse as vibrações do seu
próprio eu. Para a pessoa egoísta, o que não é do seu interesse não tem voz nem vez. O que
incomoda e pede sacrifício, para essas pessoas, é inaudível.
LEITOR 1. – Há uma maneira disfarçada de ser egoísta e de não adivinhar… Sabem
qual é? É dizer: “Eu sou muito distraído; gosto muito de vocês, mas sou meio aéreo,
esqueço-me, não me dou conta do que vocês precisam…” Na verdade, noventa por cento
das vezes, o esquecimento é a conseqüência de pensarmos demais nas nossas coisas e
pouco nas dos outros. O eu ocupa tanto espaço na cabeça e no coração que os outros não
cabem… O esquecido, o distraído, não consegue adivinhar.
LEITOR 3. – É evidente que Maria nunca andava esquecida, nunca estava distraída
ou desligada do que afligia os outros. Acho que todos recordamos a cena das Bodas de
Caná. Naquela festa de casamento, a Mãe de Jesus foi a única a “captar” que, por um
descuido – por não terem calculado bem a quantidade de vinho – a alegria da festa podia
acabar em fiasco… Então adiantou-se, falou com Jesus; e conseguiu que o Filho fizesse –
porque ela intercedeu – o primeiro milagre: a conversão da água em vinho. Amar é
adivinhar, e, depois, adiantar-se, como Maria fez em Caná… É claro que amar não se reduz
a essas duas atitudes, mas elas são fundamentais.
LEITOR 2. – Acaba de mencionar a segunda palavra: adiantar-se!
TODOS. – Que Deus nos ajude a compreender a mensagem que essa segunda
palavra – “adiantar-se” – nos traz!
LEITOR 2. – Sim. Eu diria – é o que me parece – que adiantar-se é dedicar-se ao
serviço dos outros, sem necessidade de que nos peçam e sem esperar que nos retribuam. Há
quem fique aguardando que os outros se manifestem para dar uma mão; e quando lhe
pedem alguma ajuda concreta, reage com má vontade; ou se desculpa dizendo que não
pode; ou presta o serviço de cara amarrada, reclamando.
TODOS.– Como é tocante ver que Maria servia sorrindo, como uma boa filha
de Deus, e adiantava-se como uma Mãe solícita!.
LEITOR 1. – Falando de adiantar-se, não podemos esquecer-nos de que essa é uma
das características mais belas e profundas do amor do próprio Deus. Posso mencionar dois
trechos da Bíblia, do Novo Testamento?
LEITOR 3. – Claro. Estamos aqui, sobretudo, para meditar a palavra de Deus.
LEITOR 1. – Ótimo. O primeiro é de São Paulo, e diz: Deus demonstra o seu amor
para conosco pelo fato de Cristo haver morrido por nós quando ainda éramos pecadores.
Quer dizer, Deus deu tudo, antes de que nós lhe tivéssemos dado coisa alguma, e sem
aguardar que lhe retribuíssemos a sua doação. O segundo trecho é de São João, muito
bonito: Nisto consiste o seu amor – o amor de Deus –: não fomos nós que amamos a Deus,
mas foi Ele que nos amou primeiro e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos
pecados. Deus é assim. Deus adianta-se no amor!
LEITOR 2. – Já pensaram que Jesus fez o seu auto-retrato usando a imagem do
Bom Pastor? O Bom Pastor toma a iniciativa, adianta-se e sai à procura da ovelha perdida,
mesmo daquela que continua fugindo – dessa ovelha meio-perdida que somos todos nós –,
e não descansa até encontrá-la. E a sua maior alegria é carregá-la de volta, com carinho,
sobre os ombros, até o lugar seguro, até a terra de Deus.
TODOS. – Obrigado, meu Jesus. Quem me dera saber imitar esse teu amor que
não se cansa, que não desiste nunca de nós!
LEITOR 3. – “Que coisa admirável, Senhor – dizia Santa Teresa –, que procures
quem não te procura, que cures quem não quer ser curado e até ama a sua doença…” Diz
Jesus que haverá mais alegria no Céu por um pecador que se arrependa do que por
noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência…
LEITOR 2. – Sim, o Bom Pastor nos mostra a alegria de Deus, a alegria de nos
salvar. A alegria é inseparável do amor e do serviço bem vividos. Mas também é
inseparável do serviço a elegância, que consiste em servir sem exibir-se, dar sem cobrar
retorno, sacrificar-se sem se fazer de vítima, fazer o bem e esquecer… Pensemos, a título de
exemplo, em coisas muito pequenas do dia-a-dia, como procurar, lá em casa, pôr no lugar o
que outros bagunçaram, desligar a luz que se esqueceram de apagar, atender o telefone ou a
campainha que ficam tocando sem que ninguém os atenda…, e fazer isso sem queixar-se
nem reclamar dos que se omitem.
TODOS. – Como é bom enxergar aplicações – pequenas e grandes – da lição de
amor que Maria nos dá!
LEITOR 1.–Penso que agora é um excelente momento para nos perguntarmos
coisas muito concretas. Por exemplo: Será que, nestes dias que precedem o Natal, nos
estamos esforçando por adivinhar necessidades alheias que antes nos escapavam? Quantas
vezes nos adiantamos? Quantos serviços ocultos prestamos, quantas ajudas e colaborações
já demos, daquelas de que só nós e Deus ficamos sabendo? Esse balanço pode fazer-nos
acordar de um sono egoísta e levar-nos a descobrir – sob a luz do exemplo de Maria – o
fantástico panorama de amor e de serviço que temos dia a dia à nossa espera. Peçamos à
nossa Mãe Santíssima que nos ajude a parecer-nos, nisso, um pouco mais com ela.
TODOS. – Ó Deus todo-poderoso, que inspirastes à Virgem Maria a sua visita a
Isabel, levando no seio o vosso Filho, fazei-nos dóceis ao Espírito Santo, para que vejamos
constantemente ocasiões de amar e de servir os nossos irmãos. Por Cristo, nosso Senhor.

Quarto dia (para a novena de nove encontros)
AS ALEGRIAS DE MARIA E ISABEL (Lucas 1, 41-55)

TODOS. – Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados
pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar-nos dignamente para
acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
LEITOR 1. – Quarto dia da Novena. Pedindo a ajuda de Deus, vamos dar mais um
passo rumo ao Natal. Hoje continuaremos a olhar com carinho a figura de Maria,
transportando-nos de novo com a imaginação para a cena que ontem meditávamos, a da
Visitação de Maria a Isabel. Se ontem procuramos nessa cena uma lição de amor, hoje
podemos buscar nela uma lição de alegria e de humildade.
LEITOR 3. – É bonito ver que o Evangelho apresenta a visita de Nossa Senhora a
Santa Isabel como uma explosão de alegria: foi a alegria de Deus, unida à alegria das duas
futuras mães e à alegria dos filhos que ambas traziam no seio! Todos exultaram de alegria!
TODOS. – Isto é um anúncio das alegrias divinas, profundas, que o Natal vai
nos ensinar a encontrar…
LEITOR 1. – O Evangelho diz assim: Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, o
menino (o futuro São João Batista) saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do
Espírito Santo. Então Isabel olhou, encantada, para Maria – como fazemos também nós,
que somos seus filhos –, e exclamou em voz alta: Bendita és tu entre as mulheres e bendito
é o fruto do teu ventre. E de onde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor?
Pois logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu
seio.
LEITOR 2. – Acho que há aí uma luz que não podemos perder, uma bela reflexão a
ser feita. Vejam. Isabel ficou cheia do Espírito Santo, diz o Evangelho. E, com isso, mostra
que a fonte dessa grande alegria do menino e da mãe foi o Espírito Santo. Movidos pela
graça do Espírito Santo, Isabel e o seu filhinho estremeceram de alegria – João, aos pulos! –
, como acabamos de ouvir. E por que houve essa efusão do Espírito Santo? Porque ali
estava Maria e ela trazia consigo Jesus. Esta é a luz que eu achava interessante salientar: foi
pela presença de Cristo, trazido por Maria, que o Espírito Santo veio àquelas almas e
derramou nelas as alegrias de Deus.
TODOS. – É verdade! Sempre que ficamos perto de Maria, nossa Mãe, ficamos
também perto de Jesus e, então, nosso Senhor nos dá a sua graça, que é a graça do
Espírito Santo. E, com ela, vem a alegria.
LEITOR 3. – Parece-me que todos nos lembramos de que, quando São Paulo
enumera os frutos do Espírito Santo, depois de falar do primeiro, que é o amor, menciona a
seguir a alegria e a paz. Amor, alegria e paz: três sinais maravilhosos da presença de Deus.
LEITOR 2. – Na verdade, as únicas alegrias autênticas são as que vêm de Deus. Só
quem está com Deus, como Maria, é capaz de tê-las e de transmiti-las. Aliás, o amor
verdadeiro e a autêntica alegria sempre andam juntos. Por isso, um escritor famoso dizia – e
nem todos o entendem – que “a única tristeza é a tristeza de não sermos santos”.
LEITOR 1. – Mas a mais bela expressão de alegria, no dia da Visitação, foi a da
própria Maria. Também ela se sentiu inundada pelo gozo do Espírito Santo, e extravasou-o
num cântico, o Magnificat, que é uma das orações mais sublimes, um dos poemas mais
tocantes que jamais se entoaram em louvor de Deus. Lembram-se dele?
TODOS. – Como não? Ela disse: A minha alma glorifica o Senhor e o meu
espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a pequenez da sua
serva! Assim começou Maria o seu cântico…
LEITOR 1. – Vejam que, já no início, falando da alegria, disse uma palavra que
brilha como uma luz fascinante: a palavra OLHOU! Maria proclama que está radiante de
alegria, porque Deus olhou para ela… Não vale a pena meditar hoje sobre esse olhar…?
TODOS– Claro que vale a pena!
LEITOR 1.– A primeira coisa que eu diria é que Maria ficou exultando de alegria
porque se julgava tão pouca coisa, tão pequena serva, tão pura pequenez, que achou
fantástico Deus ter olhado para ela com predileção.
LEITOR 2. – E eu acrescentaria que Deus ama os corações humildes, e, pelo
contrário, afasta o seu olhar dos orgulhosos… A Bíblia repete, pelo menos três vezes, esta
frase: Deus resiste aos orgulhosos, e dá a sua graça aos humildes. Por isso Maria, que era
tão humilde, foi cheia de graça. E no cântico do Magnificat, inspirada pelo Espírito Santo,
ela mesma disse que Deus desconcertou os corações dos soberbos; derrubou do trono os
poderosos e exaltou os humildes.
LEITOR 3. – É uma pena um coração orgulhoso. O orgulho é o pecado que mais
desgosto causa a Deus…, porque é o grande inimigo do amor. Sem humildade, não há amor.
E, sem amor, não há alegria. Vejam se não é o orgulho (o amor-próprio ferido, o
ressentimento, a teimosia de não dar o braço a torcer, a arrogância de não querer dar ou
pedir perdão…) a causa da maior parte das brigas e divisões nas famílias. Essas divisões que
doem tanto e que se sentem ainda mais no tempo de Natal!
TODOS. – Que Deus nos livre desses males e encha de humildade o nosso
coração!
LEITOR 1. – Lembrávamos, com palavras de Maria, que Deus exaltou os
humildes… Esta frase, creio eu que nos leva a um segundo aspecto do olhar de Deus. Maria,
no seu cântico, disse: Deus, meu Salvador, olhou para a pequenez da sua serva; e
acrescentou:… realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
Deus sempre faz coisas grandes com as pessoas que têm o coração humilde.
LEITOR 2. – Realmente, na vida dos homens e mulheres humildes de coração,
Deus faz muitas maravilhas, que os orgulhosos, sozinhos (porque se isolam de Deus), não
conseguem jamais alcançar. A pessoa humilde, por exemplo, recebe de Deus energias
espirituais novas, que a tornam capaz de vencer dificuldades antes invencíveis; a pessoa
humilde recebe a graça de ver com a luz da fé coisas que antes eram totalmente obscuras; a
pessoa humilde torna-se capaz de ter uma paciência, uma mansidão e uma compreensão
incríveis, que antes julgava impossíveis de alcançar; a pessoa humilde, com a graça de
Deus, vence todos os obstáculos…
LEITOR 3. – … E, além disso, Deus escolhe os que são humildes como
instrumentos para realizar coisas grandes em favor do próximo. Os melhores mestres – os
que não só transmitem a ciência, mas formam homens e mulheres de verdade – são
humildes; os bons pais – os que não só dão comida, saúde e estudo, mas ajudam os filhos a
ser gente de valores e de virtudes – são pacientes e humildes; os bons colegas – os que
caminham e avançam junto com os seus amigos – são compreensivos e humildes; os bons
voluntários, os autênticos servidores dos pobres…, todos são humildes.
TODOS. – Meu Deus! Ajudai-nos a arrancar da nossa alma o veneno do
orgulho e a ter um coração humilde.
LEITOR 1. – Claro que a humildade que estamos considerando não é a falsa
humildade da pessoa encolhida e sem caráter, que sofre porque se sente inferior, mas a
humildade dos santos, a de Maria, que se vê a si mesma muito pequena aos olhos de Deus,
mas está feliz porque Deus é seu Pai e ela sua filha pequena, uma filha muito amada, que o
Pai celeste contempla com infinita ternura.
LEITOR 2. – Infinita ternura… Isso que acaba de dizer acho que nos leva, como que
pela mão, a um terceiro aspecto desse olhar de Deus que é fonte de alegria. É o seguinte:
Deus, além de olhar para nós, olha por nós, ou seja, Deus cuida de nós. Uma das primeiras
verdades que Cristo nos revelou foi esta: que Deus é Pai, que nos vê, que nos ama, que
cuida de nós, mais do que cuida das aves do céu e das flores do campo, mais do que a mãe
cuida do filho. Que, muitas vezes, quando mais nos ama é justamente naqueles momentos
em que pensamos que se esqueceu de nós. Os santos sabem disso.
TODOS.– O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará… Ainda que atravesse o vale
escuro, nada temerei, pois estais comigo… A vossa bondade e misericórdia hão de seguirme por todos os dias da minha vida…
LEITOR 1. – Essa alegria de viver sob o olhar amoroso do Pai, que inundava a alma
de Maria, também fazia São Paulo vibrar de júbilo. Ele tinha um otimismo que não era
banal, mas era confiança profunda, conseqüência da fé: Se Deus é por nós – dizia –, quem
será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas que por todos nós o
entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas?
LEITOR 3. – Todas as coisas! Sem a mínima dúvida, ele falava de que Deus nos
dará todas as coisas que trazem alegrias verdadeiras, alegrias eternas. Não só coisas boas
que desejamos porque são agradáveis e favoráveis, mas também coisas dolorosas e
adversas, que – por incrível que pareça – podem trazer-nos depois alegrias mais profundas
e duradouras, se estivermos junto de Deus…
TODOS. – Nós podemos colher alegria tanto das flores como dos espinhos;
depende do nosso amor a Deus e do nosso amor ao próximo…
LEITOR 2. – Não nos esqueçamos de que São Paulo resumia essa visão otimista,
tão própria dos filhos de Deus, com uma frase que deveríamos trazer gravada no coração:
Nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus. Se
conseguíssemos entender isso, acreditar nisso, nada nos roubaria a paz!
LEITOR 1. – Realmente, há muito que pensar na cena que hoje meditamos. Creio
que teremos aproveitado muito bem este quarto dia da Novena, se compreendermos um
pouco melhor a importância de ser humildes. Porque Deus olha para os humildes, na terra
e no Céu – como diz a Bíblia e hoje nós estivemos recordando. Será que Deus pode olhar
assim para nós? Peçamos a Maria, nossa Mãe, que nos ajude a imitá-la. Digamos-lhe:
“Mãe, nós queremos ser humildes; queremos que Deus – ao olhar para nós – possa acharnos dignos da sua graça, dignos de receber as coisas grandes que preparou para nós, e
dignos de possuir aquela feliz confiança dos filhos que se sabem muito amados e têm a
certeza de que o Pai está encaminhando tudo, absolutamente tudo, para o seu bem”.
TODOS. – Cheguem à vossa presença, ó Deus, as nossas orações suplicantes, e,
pela intercessão da gloriosa sempre Virgem Maria, possamos preparar-nos com coração
humilde e confiante para celebrar o grande mistério da encarnação do vosso Filho, que
vive e reina para sempre.

Quinto dia (para a novena de nove encontros)
(também pode ser o segundo para as novenas mais breves)

OS PASTORES (Lucas 2, 8-20)

TODOS. – Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados
pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar-nos dignamente para
acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
LEITOR 1. – Hoje vamos achar um bom tema de meditação olhando para os
pastores, aqueles pastores que cuidavam dos rebanhos nos arredores de Belém, na noite em
que Jesus nasceu. As suas figuras estão em todos os presépios, e são dignas de ser
contempladas, porque eles foram os primeiros a adorar o Deus Menino na noite de Natal.
LEITOR 2. – Parece-me que por alguma razão é que Deus lhes anunciou essa
alegria em primeiro lugar, antes que a ninguém mais. Penso que é porque eram criaturas
SIMPLES, e Deus ama a simplicidade de coração.
TODOS. – Como é bom lembrar que Jesus disse, certa vez: Eu te dou graças,
Pai, porque revelaste estas coisas – as grandezas do amor de Deus e da nossa Redenção
– aos pequeninos, aos simples.
LEITOR 2. – Certo, certíssimo. Jesus ama a simplicidade, como estávamos dizendo.
Mas essa virtude é como o arco-íris: tem cores diversas, todas bonitas. A mim, parece-me
ver uma primeira cor nas palavras com que o Evangelho os apresenta: Havia nos arredores
uns pastores que vigiavam e guardavam o seu rebanho nos campos durante as vigílias da
noite. O que nos sugere isso?
LEITOR 1. – Vigiavam! Como gosta Jesus desta palavra! Felizes os servidores a
quem o seu Senhor achar vigilantes! – diz. Vigiar é estar atento ao que se faz, ao que se
deve fazer – porque é o dever que Deus nos pede –, sem cair em descuidos nem cochilos.
Vigiar é fazer as coisas bem feitas, com carinho, com capricho, colocando nelas a cabeça e
o coração. Vigiar é fazer com amor o que Deus nos solicita em cada momento do dia, e
apresentá-lo a Ele como uma oferenda perfeita.
LEITOR 3. – Com certeza, aqueles pastores gostavam do seu trabalho, trabalhavam
com alegria. Conheciam as suas ovelhas uma a uma, pelo nome. Eram daqueles que as
faziam repousar sobre pastos verdejantes, que procuravam as que estavam perdidas,
curavam as feridas, protegiam as doentes e ajudavam as fracas…
TODOS. – Como é belo amar o trabalho e trabalhar com amor, como um filho
de Deus bem disposto!
LEITOR 3. – Sim. Como é bonito – por exemplo – ver esses rapazes e moças que
trabalham de dia e estudam à noite. Muitos só conseguem dormir quatro ou cinco horas,
mas não se queixam. Estão felizes porque podem estudar. E sonham com o futuro, e
pensam que, quando chegar, poderão ajudar outros rapazes e moças, pobres de dinheiro e
ricos de esperança, a formar-se também. São bons e simples.
LEITOR 1. – Pois foi, de fato, a uns corações como esses que um anjo do Senhor
anunciou, primeiramente, o Natal: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova, que será
alegria para todo o povo: hoje vos nasceu, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo
Senhor. Isto vos servirá de sinal: Achareis um recém-nascido envolto em panos e posto
numa manjedoura.
TODOS. – Como é tocante! Deus vem ao mundo pequenino. O Filho de Deus é
simples. Maior simplicidade é impossível…
LEITOR 2. – Antes lembrávamos que há várias cores no arco-íris da simplicidade.
Vejamos mais algumas. Por exemplo, o Evangelho nos mostra que os pastores, essas almas
simples, eram pessoas capazes de se admirar. A capacidade de admiração é uma das
qualidades características dos corações simples.
LEITOR 1. – Tem toda a razão. Depois de receberem o anúncio do Natal, diz o
Evangelho que os pastores foram correndo ver o recém-nascido: Vamos até Belém, e
vejamos o que se realizou e que o Senhor nos manifestou – diziam. Foram com grande
pressa e acharam Maria e José, e o Menino deitado na manjedoura. Depois o adoraram,
ofertaram-lhe o que tinham – pão, queijo, leite, um cordeirinho novo –, e voltaram
glorificando e louvando a Deus, por tudo o que tinham ouvido e visto.
LEITOR 3. – Ficaram encantados com Jesus. Deus e eles entenderam-se
perfeitamente bem. Os corações simples descobrem maravilhas, captam alegrias que os
complicados ignoram e infelizmente perdem….
LEITOR 2. – Complicados são os egoístas, que desconfiam de tudo e tudo
discutem. Os simples não são assim. Não têm o olhar enfastiado, nem o coração entediado,
nem a mente desconfiada dos egoístas. Os simples são alegres, com alegrias singelas e
profundas. Os egoístas e os orgulhosos são tristes e irritados, e vivem enjoados de todos e
de tudo. É como se tivessem um véu nos olhos que os impedisse de ver as maravilhas de
Deus.
TODOS. – Que Deus nos livre do mal do orgulho, que fecha o coração, impede
a alegria e estraga o amor.
LEITOR 1. – Eu acrescentaria ainda outra característica bonita dos corações
simples. Eles sabem apoiar-se e animar-se uns aos outros, como os pastores, que
mutuamente se incentivavam: Vamos até Belém!… Quando esses corações simples têm fé,
ficam felizes de ajudar, de animar os parentes e amigos, com toda a delicadeza, a se
aproximarem de Deus. É outra cor do arco-íris. Mas ainda há mais. Acho que nos falta
comentar a respeito dos pastores algo que é essencial…
LEITOR 2. – Refere-se à mensagem dos anjos, não é verdade?
LEITOR 1. – É, sim. Subitamente – diz o Evangelho –, ao anjo se juntou uma
multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: “Glória a Deus no mais alto dos
céus e, na terra, paz aos homens de boa vontade!” Alegria no céu e paz na terra. Paz! Que
falta nos faz! É um dom que Jesus traz ao mundo: A paz vos deixo, a minha paz vos dou.
LEITOR 3. – E sem dúvida é um dom que significa muito mais do que tranqüilidade
e falta de problemas.
LEITOR 2. – Com certeza, essa paz não é a tranqüilidade dos adormecidos, nem a
dos desligados, nem a dos mortos. É outra coisa muito mais bonita e profunda.
LEITOR 3. – Eu diria que é a harmonia. A nossa harmonia com Deus, conosco – no
íntimo da consciência – e com os outros. É algo de muito grande. A harmonia com Deus
alcança-se com o amor e com o arrependimento. Os corações simples e bons vivem fazendo
as coisas certas por amor a Deus, e pedindo perdão pelas erradas também por amor a Deus.
Cada confissão sincera, para eles, é um banho de paz, da paz que só Cristo pode dar.
TODOS. – Que Jesus nos conceda a paz da alma neste Natal, sobretudo a paz
que nos invade após ter recebido o perdão dos nossos pecados!
LEITOR 1. – Todas as vezes que olhamos para Deus e para nós com sinceridade,
sem nos enganarmos, sem desculpas esfarrapadas para encobrir as nossas misérias, todas as
vezes que falamos como o filho pródigo – Eu me levantarei, irei a meu pai e direi: Pai,
pequei contra o céu e contra ti –, todas as vezes que fazemos este ato sincero de contrição,
a paz nos invade. Paz com Deus e conosco.
LEITOR 2. – Eu me atreveria a afirmar que um coração sincero e bom, que ama a
Deus, tem três princípios, que são regras de ouro e caminhos de paz:
Primeiro: Colocar o amor acima do prazer. O prazer egoísta mata o amor, é um
veneno tão forte como o orgulho. Ai da mulher, ai do homem, que abandona o sacrifício
que lhe pede o amor dos outros, por uma razão tristemente egoísta: porque não lhe dá
satisfação, e só pensa em gozar a vida e sentir-se bem…
Segundo: Pôr a verdade acima do gosto. Isso exige também sermos muito sinceros.
Muitas vezes, na vida moral, achamos que é certo o que gostamos de fazer, e nem sempre
temos a coragem de perguntar a Deus a verdade, ou seja, o que é certo aos olhos de Deus.
Terceiro: Colocar Deus e os outros acima do nosso “eu”… Primeiro Deus, depois o
bem dos outros, depois “eu”… Os que seguem a ordem inversa procuram-se a si mesmos
sem parar, e caem num círculo vicioso, que poderíamos descrever assim: o seu “eu” vazio
procura a plenitude que ainda não encontrou, mas – infelizmente – procura-a voltando-se
para si mesmo, andando em círculo, como a cobra que morde o rabo; e como em si mesmo
só tem vazio, passa a vida correndo atrás do vazio…
LEITOR 3. – Não é isso o que dizia Santo Agostinho? Fizeste-nos, Senhor, para Ti,
e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em Ti…
TODOS. – Jesus, fazei com que nos convençamos de que só nos encontramos a
nós mesmos quando nos damos a Deus e aos outros. Ajudai-nos a colocar o amor
acima do prazer, a verdade acima do gosto, Deus e os outros acima do nosso “eu”.
LEITOR 3. – Sim. Dar-nos a Deus e aos outros é o segredo da paz! Não há
harmonia melhor com Deus e com o próximo do que a que nasce da doação, da renúncia e
da entrega por amor.
LEITOR 2. – Lembremo-nos de que é isso o que Jesus não se cansava de dizer:
Quem quiser guardar a sua vida, a perderá; e quem perder a sua vida, por amor, a
encontrará.
LEITOR 1. – Vejam quantas coisas maravilhosas nos sugere a meditação do
Presépio. Acho que hoje é natural que terminemos pedindo a Deus que nos ajude, com a
sua graça, a descobrir a beleza da simplicidade – de que os pastores nos dão um exemplo
tão bonito – e a esforçar-nos por viver essa virtude. Maria e José, puros, bons e simples,
sem dúvida vão-se inclinar para o Menino no Presépio e pedir-lhe que nos conceda esses
dons.
TODOS. – Ó Deus, que iluminastes com a luz clara do vosso Natal os corações
simples e humildes dos pastores, concedei-nos que, tendo vislumbrado na terra este
mistério, possamos gozar da sua plenitude no céu. Por Cristo, nosso Senhor.

Sexto dia (para a novena de nove encontros)
A ESTRELA DOS MAGOS (Mateus 2, 1-10)

TODOS.– Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados
pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar-nos dignamente para
acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
LEITOR 1. – Dentre as figuras do Presépio, hoje vamos escolher os Magos.
Podemos vê-los – ou imaginá-los – no caminho que leva para Belém. São homens sábios,
homens de ciência e estudo, conselheiros de reis (talvez por isso os chamamos Reis
Magos), que vêm de longe, da banda do Oriente, montados em camelos e com
acompanhamento de pajens. Diante deles, marcando o rumo – agora que já estão quase
chegando – brilha uma estrela, com fulgores prateados. É a mesma estrela que os fez
empreender a sua longa caminhada.
LEITOR 2. – Vale a pena lembrar que o Evangelho resume assim aquela incrível
viagem: Tendo nascido Jesus em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que uns
magos vieram do Oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: “Onde está o rei dos judeus que
acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo”. Percebemos que a
primeira coisa que dizem é que aquela longa viagem foi feita porque viram “a sua estrela”,
e que ela lhes indicou um rumo e uma meta: ir ao país dos judeus para adorar o Rei de
Israel, o Messias Filho de Deus, que é Rei do mundo inteiro…
LEITOR 1. – Quantas coisas não há para meditar nessa frase tão breve que os
Magos disseram ao chegar! Acho que, para obtermos fruto, bastaria que aprofundássemos
nos dois verbos – apenas duas palavras – que resumem tudo o que aconteceu com eles:
VIMOS e VIEMOS.
TODOS. – Que Deus nos conceda luz para entendermos também a riqueza da
mensagem que Ele nos dá através do exemplo dos Magos.
LEITOR 2. – Eles dizem: Vimos a sua estrela! Era o sinal da vinda do Messias, que
fazia mais de mil anos já fora anunciado pelos profetas. E disso, no Oriente, muitos tinham
ouvido falar. Uma estrela sai de Jacó, um cetro levanta-se em Israel…
LEITOR 1. – Vocês acham que foi fácil ver a estrela? Não digo ver com os olhos,
pois foi precisamente por perceberem a cintilação de uma estrela nova que ficaram
intrigados, pesquisando e perguntando-se o que seria aquilo. Difícil foi querer ver mesmo,
quando o significado da estrela ia ficando claro. Porque era uma estrela que anunciava… e
chamava; que mostrava… e pedia; que era luminosa…, mas comprometia.
TODOS. – Claro! Era mesmo uma chamada de Deus! Mostrava-lhes o roteiro
de Deus: o caminho que Deus desejava que eles percorressem.
LEITOR 1. – Sim. Para os Magos foi uma chamada, e agora é uma chamada e uma
mensagem para nós. Do alto do céu do Presépio, Deus parece dizer-nos: “Por acaso você
pensa que não tem estrela? Acha que Eu não conto com você nos meus planos? Pensa que
há algum filho de Deus que não tenha um chamado e uma missão a cumprir nesta terra? Ou
será que você veio à toa e sem finalidade a este mundo?…”
LEITOR 2. – É verdade. Cada um de nós tem a sua estrela. Como é importante vêla!, porque só então se enxerga o sentido da vida. A estrela é a minha vocação, e a sua luz
esclarece a missão que eu devo cumprir, a que Deus me confiou, e espera que eu não falhe.
LEITOR 1. – Quando descobrimos a estrela, fica claro o sentido da nossa
existência: todas as peças da vida – como as pedras de um mosaico – passam a ocupar o seu
lugar: as alegrias e as tristezas, o passado e o presente, os sonhos, o trabalho, o amor, as
dificuldades, tudo…, tudo fica mais claro e se harmoniza. Mas se não sabemos qual é a
nossa estrela, essas peças não passam de um amontoado de cacos embaralhados.
TODOS. – Que Deus nos livre da cegueira espiritual e da desorientação, e abra
os nossos olhos à luz que deve guiar a nossa vida.
LEITOR 3. – Vejamos um exemplo. Quando um casal cristão descobre que o seu
casamento é uma vocação, e que o próprio Deus lhes confiou uma grande missão – a bela
missão de fazer, de edificar uma família –, esse casal viu a estrela. Em qualquer momento
de crise, de dificuldade ou de cansaço, o coração lhes dirá: “Olha para a estrela. Ela te
marca o caminho. Deus te chama. Sê fiel à tua estrela!”
LEITOR 1. – Mas, vocês acham que a estrela se vê sempre? Não foi isso o que
aconteceu com os Magos. Viram a estrela no Oriente. Perceberam o que ela indicava, e não
desviaram disso o coração. Prepararam logo a viagem – que ia ser longa e penosa – e
começaram a caminhar. A estrela marcou-lhes inicialmente a direção, revelou-lhes o
destino, estimulou-os na partida, mas depois desapareceu…
LEITOR 3. – Eles, porém, como tinham captado a mensagem de Deus, não
hesitaram e continuaram a caminhar…
TODOS. – E o caminho foi longo e áspero. Passaram por desertos sem uma
gota de água…
LEITOR 3. – Passaram por montanhas escarpadas, cheias de gelo, neve e abismos
ameaçadores…
TODOS. – Muitas vezes dormiram ao relento, comeram mal, passaram frio e
tiveram medo…
LEITOR 2. – E, por serem humanos, tiveram a tentação de desistir. Pensavam:
“Será que vimos claro, que não houve engano?” Outras vezes: “Será que vale a pena?”
Outras: “Será que Deus pode pedir-nos tanto sacrifício? Por quê? Para quê?”…
TODOS. – Mas continuaram a caminhar, mesmo sem ver nada…
LEITOR 3. – Perseveraram até o fim. Sabiam bem qual era o rumo da estrela. Não
quiseram vacilar. Não traíram a estrela! Não a traíram!
LEITOR 2. – Como é tocante ver que o Evangelho diz que chegaram a Jerusalém
dizendo, como a coisa mais natural do mundo: “Vimos e viemos”. Quantas vezes nós
podemos pronunciar essas palavras juntas? Quantas vezes não vimos luzes de Deus, que nos
chamavam – faz isso, ajuda aquele, vai confessar-te, muda naquilo outro, abandona essa má
companhia ou esse mau hábito, esse vício… –, e, infelizmente, fizemos de tudo para adiar,
para deixar estar, para não ir, para não pôr em prática as inspirações de Deus?
TODOS. – Que Deus nos perdoe e nos dê forças para não fazer isso nunca mais.
LEITOR 1. – Continuemos a acompanhar os Magos. Já chegaram e agora entram
em Jerusalém. Mas lá as coisas ficam ainda mais difíceis. Na capital dos judeus, perguntam
pelo recém-nascido rei dos judeus, e ficam perplexos, porque ninguém sabe de nada… Nem
os sacerdotes, nem o rei Herodes, nem o povo…
LEITOR 2. – Devem tê-los tomado por malucos…
LEITOR 3. – Provavelmente. Mas, apesar disso, não traíram a estrela só porque
ninguém na cidade de Jerusalém entendia os seus ideais, e todos achavam que eles eram
esquisitos, ridículos ou fanáticos…
LEITOR 2. – Acho que nós também, hoje em dia, devemos ter a coragem de não
nos abalarmos se as pessoas, se o ambiente não entende os nossos ideais cristãos.
Compreendamos e amemos a todos, também aos que não nos entendem, mas não nos
deixemos influenciar nunca pelo ambiente, que em grande parte é pagão e cego para as
coisas de Deus.
TODOS. – Que nunca sejamos covardes nem vacilemos na fé pelo fato de
estarem junto de nós muitos que não crêem em Cristo, nem na Igreja, nem nos
grandes ideais que Deus colocou no nosso coração.
LEITOR 1. – Os Magos, firmes na sua fidelidade, só se preocuparam de indagar dos
sábios de Jerusalém qual era o lugar do nascimento do Messias anunciado pelas profecias;
e, quando souberam que era a cidade de Belém, para lá se encaminharam em seguida, com
a mesma determinação com que tinham saído de casa e enfrentado os perigos do caminho.
LEITOR 3. – Foi isso mesmo. E, então, a estrela que tinham visto no Oriente os foi
precedendo, até chegar onde estava o Menino, e ali parou. A aparição da estrela os encheu
de profundíssima alegria.
TODOS. – É maravilhoso! Deus sempre cumula de alegria os que procuram ser
fiéis, especialmente se a fidelidade lhes custa sangue, suor e lágrimas! Deus se lhes
mostra com amor e se lhes entrega!
LEITOR 1. – Acho que todos sentimos que hoje, mais uma vez, temos muito que
pensar. Quantas coisas não nos sugere o exemplo dos Magos! Que Jesus, Maria e José nos
ajudem a ser homens e mulheres que sabem ver e ir. Peçamos a graça, mais preciosa do que
todas as jóias do mundo, de viver na presença de Deus e dos homens dizendo sempre:
viemos, quer dizer, “estamos fazendo isto ou aquilo e nos comportamos assim por uma
razão muito simples: porque vimos, porque vimos a estrela e entendemos qual é a nossa
vocação e a nossa missão nesta terra…”
TODOS. – Ó Deus, que revelastes o vosso Filho aos Magos guiando-os pela
estrela, concedei aos vossos filhos e filhas que já vos conhecem pela fé, seguir os caminhos
que o vosso amor lhes marca, e contemplar-vos um dia face a face no Céu. Por Cristo,
nosso Senhor.

Sétimo dia (para a novena de nove encontros)
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (Mateus 2, 9b-12)

TODOS. – Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados
pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar- -nos dignamente
para acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho,
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
LEITOR 1. – Neste sétimo dia da Novena, vamos continuar a olhar para os Magos.
Só que hoje os contemplaremos – ou os imaginaremos – na cena da adoração, que o
Evangelho descreve assim: Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe.
Prostrando-se diante dele, o adoraram. Muitos pintores famosos deixaram-nos quadros
belíssimos dessa cena. Ajoelhados, ou inclinados perante o Menino Jesus, os Magos o
adoram, com o olhar extasiado, e lhe oferecem os presentes que trouxeram.
LEITOR 2. – Eu me permitiria observar que, nesta cena, aparece uma palavra ou,
por melhor dizer, uma atitude, que merece uma boa reflexão: ADORAR. Creio que é uma das
atitudes mais elevadas, mais sadias e mais necessárias para nós, os homens.
TODOS. – É uma coisa maravilhosa! Saber adorar a Deus! Tudo iria muito
melhor, em nossa vida e no mundo, se aprendêssemos a adorar a Deus!
LEITOR 1. – Vocês estão dizendo uma grande verdade! Adorar é uma palavra cheia
de conteúdo. Significa, em primeiro lugar, reconhecer Deus e dizer-lhe: Tu és o meu Deus e
o meu Senhor! Depois, significa admirar com alegria a imensa grandeza, beleza e bondade
de Deus. Em terceiro lugar, significa inclinar-se diante dEle com respeito e com obediência
de filhos. E, ainda, em quarto lugar, significa fazer da vida um contínuo ato de
agradecimento ao Senhor. Muitas coisas, não é?
TODOS. – Mas todas parecem importantes. Não será bom vê-las uma por
uma?
LEITOR 1. – Vamos lá, então. Víamos que adorar é, primeiro, reconhecer. Quando
dizemos “Tu és o meu Deus!”, estamos reconhecendo: “Eu não sou o meu deus!” Já
pensamos nisso? Nenhum de nós comete a tolice de dizer com a boca: “Eu sou Deus”, mas
muitos de nós o dizemos com a vida…
LEITOR 2. – Sim. Porque nos dedicamos a adorar-nos a nós mesmos e queremos
colocar tudo aos nossos pés. Penso que todos recordamos que, quando o diabo tentou Jesus
no deserto e lhe pediu que o adorasse, Jesus o repeliu dizendo: Para trás, Satanás, pois está
escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás.
LEITOR 1. – Mas nós nos adoramos a nós mesmos, e não a Deus, quando
pensamos: “Primeiro procuro o que eu quero, obedeço à minha vontade, sirvo o meu
interesse, e depois verei se tenho tempo de pensar no que Deus quer”… Ou, então, dizemos:
“Na conduta, na moral, no casamento, no namoro, etc., eu digo o que é certo e errado, o que
tem importância e o que «não tem nada»; eu determino a minha moral, eu «escolho» a
minha religião, e não preciso nem de perguntar a Deus nem de que me falem da lei de
Deus”.
TODOS. – Os Magos não quiseram ser deuses: adoraram a Deus!
LEITOR 3. – Vocês não acham que só podemos adorar bem a Deus quando o
conhecemos bem? Porque, quando o vamos conhecendo, Ele nos cativa e nos deslumbra
com a sua bondade e a sua verdade. Dia após dia, causa-nos mais admiração e desperta
mais amor. Sentimos desejos cada vez mais inflamados de compreendê-lo, de vê-lo –
procurarei, Senhor, o teu rosto!, dizemos, com o Salmo –, e entendemos que uma alma
santa afirmasse: “A adoração é o êxtase do amor”.
LEITOR 2. – Falando em conhecer a Deus, vale a pena lembrar que o Natal fez com
que o rosto de Deus, que nós não vemos, se fizesse visível no rosto de Jesus, que é Deus e
homem verdadeiro. Esta é uma das grandes alegrias destas Festas santas. São João
Evangelista maravilhava-se com isso, e dizia: Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único,
que está no seio do Pai, ele no-lo deu a conhecer. Por isso, quem quiser ver a Deus deve
olhar atentamente para Cristo, deve começar por conhecê-lo melhor.
TODOS. – O mesmo Jesus disse: Quem me vê, vê o Pai.
LEITOR 3. – Se o conhecêssemos de verdade, tal como aparece nos Evangelhos, o
nosso coração arderia de amor, e brotaria em nós uma sede de estar com Ele tão intensa,
que ficaríamos felizes ao pensar nEle, ao sentir-nos perto dEle…, sobretudo ao encontrá-lo
intimamente nessa loucura de amor que é – como dizia um grande santo – a Eucaristia!
LEITOR 1. –Adorar, afinal, é amar. E confiar. Quando nos inclinamos para Jesus
com um grande amor, confiamos totalmente nEle. Encaramos com plena confiança tudo o
que Ele pede, tudo o que Ele manda. O amor faz nascer o desejo de agradar-lhe em tudo e
de obedecer-lhe sempre…
TODOS. – Que poucas pessoas entendem que obedecer a Deus, aos seus
mandamentos e aos da sua Igreja, é amá-lo!
LEITOR 2. – E, no entanto, deveríamos meditar que Jesus nos disse uma e outra vez
que a obediência a Deus é a chave do verdadeiro amor: Se me amais, guardareis os meus
mandamentos… Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor. E,
falando da Igreja que Ele fundou – a minha Igreja, como Ele a chamava –, dizia aos
Apóstolos, aos chefes dessa Igreja: Quem a vós ouve, a mim ouve; quem a vós despreza, é a
mim que despreza. Infelizmente, a obediência a Deus e aos representantes de Deus é como
uma gata borralheira, que muitos cristãos desprezam… Precisamos resgatá-la…
LEITOR 1. – Vamos agora a uma última reflexão. Conta o Evangelho que os
Magos, como ato de reconhecimento e de louvor a Jesus, depois de prostrar-se diante dele
em adoração, abriram os seus tesouros, e ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e
mirra. Cada presente tinha um significado. Sabemos qual é?
LEITOR 2. – Parece-me que, ao colocarem o ouro aos pés de Jesus, era como se
dissessem: “Todo o ouro do mundo, ao lado do meu Deus, de Jesus menino, é pó. Todas as
coisas materiais, se não nos levam a Jesus, se não as usamos de acordo com o espírito de
Cristo, para louvar e servir a Deus e amar os outros, são lixo, são lama em que nos
atolamos”. Só o amor a Deus e ao próximo transforma as coisas materiais, as tarefas
materiais, as preocupações corriqueiras, em ouro puro aos olhos de Deus.
TODOS. – E o incenso aos pés de Jesus?
LEITOR 3. – Eu vejo o incenso que se queima e desaparece, enquanto se eleva em
nuvens perfumadas, como um símbolo de adoração. Quando, na igreja, se oferece incenso a
Deus, é como se todos nós disséssemos: “Não há vida mais bela, não há coração mais belo,
que aquele que se queima – que queima a borra do seu egoísmo – e se transforma em
perfume oferecido a Deus”.
TODOS. – E a mirra?
LEITOR 3. – Eles põem mirra aos pés de Jesus. Sabemos que a mirra era muito
valiosa, mas muito amarga. A Jesus, quando estava no Calvário, ofereceram-lhe uma
bebida com mistura de mirra, e a usaram também para embalsamar o seu corpo. Por isso, a
mirra sempre foi vista como um anúncio da Paixão. Talvez esse presente significasse, numa
antevisão, o agradecimento a Jesus pela infinita manifestação de amor que foi a sua morte
na Cruz por nós. Talvez significasse também que o mistério da Cruz não pode estar ausente
da vida do cristão, ou seja, que devemos aprender a ofertar a Jesus as nossas dores –
aceitando a vontade de Deus – e os nossos sacrifícios voluntários.
LEITOR 2. – Depois de refletir sobre os presentes dos Magos, ocorre-me que o
Natal é tempo de presentes. Que bom seria se pensássemos, primeiro, nos presentes que
vamos oferecer a Jesus Menino. Muitos oferecem, nestes dias, orações especiais, sacrifícios
um pouco mais custosos e, com muito carinho, atos de serviço para aliviar e alegrar pessoas
carentes, desempregados, crianças, velhos, doentes…, lembrando-se de que Jesus dizia:
Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, é a mim que o fizestes. Não
seria hoje um bom momento para fazer exame de consciência e perguntar-nos: “Eu não
poderia fazer mais alguma coisa pelos necessitados neste Natal?”
LEITOR 1. – É uma boa pergunta, agora que terminamos a reflexão deste sétimo
dia. Hoje, creio que podemos dizer, como ontem, que os Magos nos deixam a luz de um
belo exemplo. Junto de Jesus, eles nos dizem: “Adorar com amor, essa é a atitude certa da
criatura humana diante de Deus”. E nos animam a descobrir as riquezas desse espírito de
adoração, que nos faz admirar a Deus e extasiar-nos com Ele; que desperta fome de
conhecê-lo; que nos move a louvá-lo; que nos anima a obedecer-lhe; e que, por fim, faz
nascer na alma ânsias de agradecer o amor que Ele nos tem, oferecendo-lhe os nossos dons.
Os Magos, depois de adorar Jesus, voltaram para o seu país inundados de uma imensa
alegria. Peçamos a Nossa Senhora e a São José que a adoração de Jesus, neste Natal,
também nos deixe impregnados dessa imensa alegria.
TODOS. – Ó Deus, sede a luz dos vossos fiéis e abrasai os seus corações com o
esplendor da vossa glória, para adorarem sempre o Salvador e a ele se entregarem com
alegria. Por Cristo, nosso Senhor.

Oitavo dia (penúltimo dia de todos os encontros)
AS PORTAS DE BELÉM (Lucas 2, 1-7)

TODOS. – Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados
pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar-nos dignamente para
acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho, nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
LEITOR 1. – Estamos nos aproximando do final dessa nossa preparação para a
vinda de Jesus. O Natal está cada vez mais perto. Por isso, hoje já começaremos a olhar
para Belém, aonde Maria e José chegaram afinal, buscando pousada, e procuraremos fazer
uma reflexão que seja, ao mesmo tempo, um exame de consciência pessoal um pouco mais
profundo, como se fosse um pequeno retiro espiritual de preparação para o Natal.
TODOS. – Que bom fazer assim, hoje que a maioria dos cristãos se esquece,
infelizmente, de Jesus que vai nascer e só pensa em presentes, comida, bebida e coisas
materiais!
LEITOR 2. – Uma coisa que vemos em todos os presépios é que o lugar onde Jesus
nasceu é pobre: um estábulo onde se recolhe o gado. Umas vezes, tem a aparência de uma
gruta – assim deve ter sido na realidade – e outras, a de um telheiro ou galpão de adobe e
tábuas, chão batido e palha.
LEITOR 1. – É assim mesmo, porque o Evangelho diz que Maria e José chegaram a
Belém para se recensear, e estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu
filho primogênito e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o numa manjedoura; porque não
havia lugar para eles na estalagem.
TODOS. – Pensar que Maria ia dar à luz e não achou nem uma só casa que a
acolhesse!
LEITOR 2.– Todas as portas se fecharam. José foi batendo numa, noutra, também
na hospedaria atulhada de viajantes…, e ninguém abriu. Todos disseram que não. Por isso,
o nosso Deus teve que nascer no desamparo, num refúgio de animais, e o seu berço foi o
presépio, a manjedoura onde o gado come a palha e o feno.
LEITOR 3. – … E uma velha tradição – que se conserva carinhosamente até hoje –
diz que o único calor que a Sagrada Família recebeu, na Noite de Natal, foi o bafo
quentinho de um burro e de um boi ou uma vaquinha.
LEITOR 1. – Não havia lugar para eles… Todas as PORTAS FECHADAS. Vale a pena
meditarmos hoje sobre isso. Há um fato real, e é que Jesus continua a encontrar fechadas as
portas de muitos corações. Perguntemo-nos como é que vai encontrar as nossas, quando
vier na noite de Natal.
TODOS. – Jesus, que eu não te feche as portas e saiba oferecer-te, neste ano,
uma hospedagem carinhosa num coração limpo!
LEITOR 2. – Se me permitem, fazer uma consideração, eu acho que nos pode
ajudar, nessa reflexão, perceber que o ferrolho que tranca a porta do coração é sempre um
não dito a Deus; assim como a chave de ouro que a abre é sempre um sim, como o que
pronunciou Maria Santíssima no dia da Anunciação.
LEITOR 1. – Certo. Por isso, pode ser útil para nós perguntarmo-nos: “Eu digo sim
a Deus, ou digo não?” Creio que todos nós poderíamos dirigir-nos a Jesus, neste Natal –
hoje mesmo –, com íntima sinceridade, e dizer-lhe: “Jesus, eu te peço perdão porque,
muitas vezes, tenho fechado a porta quando Tu batias; tenho passado o ferrolho do meu
não”.
LEITOR 3. – Que dor! Cada não a Deus foi um ato de egoísmo nosso, algum tipo
de falta de amor. Cada não a Deus é uma escolha que fazemos, colocando-nos a nós na
frente e passando Deus para trás. Dentro de cada não, esconde-se algum inimigo do amor…
TODOS – É mesmo. Infelizmente, é um inimigo que se chama pecado… Pecar –
que pena! – é sobretudo recusar-se a amar…
LEITOR 1. – E cada recusa concreta tem um nome concreto. Sim. Cada recusa tem
algum destes sete nomes, bem conhecidos: orgulho, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e
preguiça. São os sete grandes ferrolhos que trancam a porta. São os sete pecados capitais.
LEITOR 2. – Com certeza, a soberba, o orgulho, é o pior. Torna-nos convencidos,
arrogantes, auto-suficientes, vaidosos. Leva-nos a desculpar e justificar todos os nossos
erros e a não aceitar correções ou conselhos de ninguém. Leva-nos a criticar e a pôr as
culpas de tudo nos outros. Faz-nos desprezar o modo de ser das outras pessoas. Enclausuranos dentro de nós mesmos. Incha-nos como um balão…
TODOS. – Meu Deus, como é fácil cair nisso… Tende piedade de nós e livrainos deste mal!
LEITOR 3. – Mas há uma chave de ouro que abre essa porta: é a humildade. Por
isso, Jesus, o nosso Salvador, o Médico que agora vem curar-nos, começa por dar-nos no
Presépio um exemplo de humildade. Sendo Deus, faz-se pequeno, a última das criancinhas
deste mundo…
LEITOR 1. – Outras portas foram trancadas pela avareza. A chave de ouro que as
abre é a generosidade. A avareza – sabemos bem disso – é aquele egoísmo que nos faz
agarrar-nos ao nosso tempo, aos nossos planos, ao nosso dinheiro, aos nossos gostos, que
não queremos dar nem compartilhar com os outros. É o pecado do adjetivo possessivo, que
fica sendo adjetivo obsessivo: meu, meu, meu…
TODOS. – Meu Deus, também é fácil cair nisso… Tende piedade de nós e livrainos deste mal!
LEITOR 3. – Mas Jesus, que é Deus, quis nascer pobre e desprendido, dando tudo e
dando-se todo, para assim curar também a nossa avareza. Jesus Menino só diz tu, tu, tu…
“É para ti e para a tua salvação que eu vim ao mundo”…
LEITOR 1. – A luxúria é outro pecado capital. Consiste na procura desordenada dos
prazeres do sexo egoísta. E a chave de ouro que abre essa porta é a castidade, ou seja, a
pureza do coração, dos olhos, da imaginação e do corpo; é o amor esponsal puro, belo,
ardente e fiel: o amor que encontra o seu sentido pleno no sacramento do Matrimônio, a
aliança santa que faz – com a bênção de Deus – de duas vidas uma só. E o ponto alto da
castidade é – para aqueles a quem Nosso Senhor assim o pede – o amor total que faz
dedicar alma, coração e corpo – a vida inteira, como Maria – ao serviço de Deus e dos
irmãos, no santo celibato.
TODOS: Senhor, tende piedade das nossas fraquezas, e fazei de nós
testemunhas da pureza cristã no meio de um mundo dominado pela sensualidade
doentia e descontrolada.
LEITOR 3. – Que alegria pensar que Jesus quis vir ao mundo através da pureza
cristalina de uma Mãe, que é a Santíssima Virgem Maria. E quis ser cuidado por José,
varão castíssimo e fiel.
LEITOR 1. – Prossigamos vendo – sempre em clima de exame de consciência –
outro pecado capital: a ira. A chave de ouro que escancara as portas que a ira trancou é a
mansidão. Como faz mal a ira! Que mal se vive com uma pessoa irritada, violenta,
agressiva ou carrancuda, que está sempre de mau humor!
LEITOR 2. – No Natal vemos que a Sagrada Família foi desprezada, ficou
abandonada no meio da rua, e não se irritou com ninguém. Neles tudo é paz. E Jesus, já
desde o berço, diz, mesmo sem palavras: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de
coração, e encontrareis repouso para as vossas almas. Que paz há em Belém!
TODOS: Jesus, manso e humilde de coração: dai-nos um coração semelhante
ao vosso!
LEITOR 1. – E a temperança? Essa virtude é a chave de ouro para abrir a porta que
a gula fechou. A gula! Os nossos abusos e desordens no comer, na bebida, na diversão, na
televisão, na Internet… E que dizer das drogas, que começam a tecer a sua teia de aranha
peçonhenta com a desculpa de que é “só para experimentar”…? Depois, livrar-se da teia é
uma luta gigantesca…
LEITOR 2. – Jesus vive, desde o seu nascimento, uma vida sóbria, discreta,
modesta, com uma contenção serena. Ele é o contrário de um consumista e de um
hedonista… Estas duas atitudes, tão comuns nos dias de hoje, são verdadeiras correntes de
aço que aprisionam a mente e o coração.
TODOS: Jesus, protegei-nos, a nós e às nossas famílias, das desordens da
intemperança, que destroem tantas vidas e dividem tantos corações!
LEITOR 1. – E a inveja? Eis outro pecado capital que tranca os corações. Deixa-os
crispados, despeja neles fel e vinagre, desperta ódios e maledicências… Mas a caridade é a
chave de ouro, e consiste em querer o bem de todos, colaborar positivamente para o bem de
todos, quer sejam amigos, quer inimigos…
LEITOR 3. – Ah, sim! Como Jesus, que ama até os que o torturam, o despojam de
tudo e lhe tiram a vida, e reza com carinho por eles, e lhes estende a mão para que se
salvem.
TODOS: Jesus, quando aprenderemos a vos agradecer tudo o que nos dais e a
fechar os olhos e o coração para a inveja e o rancor?
LEITOR 1. – E, por fim, resta o sétimo ferrolho, o da preguiça, que não é um
pecado tão inofensivo como parece. Quantas vezes os não que mais nos prejudicam e
fazem mal aos outros procedem da preguiça, da falta de vontade de esforçar-nos, da falta de
vontade de lutar, de ser responsáveis, de ser constantes, de sacrificar-nos. Quantas omissões
sérias não há na nossa vida! Pois bem, a chave de ouro para abrir essa porta é a diligência,
que significa o empenho por cumprir todos os nossos deveres com prontidão, acabamento e
amor.
TODOS: Bom Jesus, Deus do Amor! Dai-nos o amor ao dever e o desejo de
perfeição no trabalho, mesmo que seja cansativo e monótono.
LEITOR 3. – Como Jesus, que fez tudo bem, e jamais se poupou!
LEITOR 1. – Neste Natal, nós queremos abrir todas essas portas, não é verdade?
Mas temos que entender que a única mão capaz de pegar nas chaves de ouro e de pô-las na
fechadura é o amor. E, para nós, que somos pecadores, esse amor deve tomar muitas vezes
– especialmente nesta preparação do Natal – a forma da contrição, que é a dor de não
termos sabido amar a Deus como devíamos; é o arrependimento que leva à penitência, à
reconciliação com Deus, à confissão. Quantas vezes uma boa confissão feita para preparar
o Natal não tem sido o início de uma vida nova, de um novo nascimento. Peçamos a Jesus
Menino que nos conceda a graça dessa mudança; que nos ajude a abrir as portas, mas a
escancará-las bem, com generosidade, sem deixá-las presas com a correntinha de
segurança, que só permite uma pequena fresta por onde Jesus não pode passar. Vamos dizer
a Cristo: “Senhor, a porta está aberta. Podes entrar!”
TODOS. – Ó Deus todo-poderoso, concedei aos que gememos na antiga escravidão
sob o jugo do pecado, a graça de confessar as nossas culpas e de sermos delas por Vós
libertados, para assim preparar-nos com pureza para o Natal do vosso Filho que tão
ansiosamente esperamos. Por Cristo, nosso Senhor.

Nono dia (último dia de todos os encontros)
JESUS NASCE EM BELÉM (Lucas 2, 1-20; João 1, 1-18)

TODOS. – Senhor, nosso Deus, concedei-nos a vossa graça para que, auxiliados
pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, possamos preparar- -nos dignamente
para acolher, com a alma pura e o coração generoso e sincero, a vinda do vosso Filho,
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
LEITOR 1. – Hoje é o último dia da nossa preparação para o Natal. Que vamos
fazer? Voltar os olhos e o coração, inteiramente, intensamente, para a figura de Jesus
Menino que, envolto nos paninhos que a Mãe trouxe de Nazaré, repousa sobre as palhas do
Presépio. Não sentem desejos de olhar para Ele e dizer-lhe: Meu Senhor e meu Deus!?
Porque esse Menino que vemos na manjedoura é Deus feito homem, que vem ao nosso
encontro para nos salvar. Tanto amou Deus o mundo – dizia Jesus a Nicodemos – que lhe
deu seu Filho único… Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o
mundo seja salvo por Ele.
TODOS. – Meu Senhor e meu Deus! Vós sois o Amor!
LEITOR 3. – Deixem-me proclamar bem alto que este é mesmo o coração da nossa
fé cristã! A certeza de que Deus é Amor e nos quer com loucura. Essa é a certeza que fazia
o Apóstolo São João exclamar: Deus é amor! Nisto se manifestou o amor de Deus para
conosco: em nos ter enviado o seu Filho único, para que vivamos por Ele.
TODOS. – É fantástico! O amor de Deus invisível, no Natal se faz visível, fica
perto de nós, ao nosso alcance. Está aqui, junto de nós, no Presépio!
LEITOR 1. – Vocês todos se recordam de que São João se extasiava com o Natal,
com a vinda do Verbo encarnado, e dizia: Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único, que
está no seio do Pai, foi quem o revelou. E, cheio de júbilo por tê-lo conhecido, por ter
convivido com Ele e ter experimentado o seu carinho, exclamava: Nós o vimos com os
nossos olhos, nós o contemplamos, nós o ouvimos, nós o tocamos com as mãos…!
TODOS. – E também dizia, alto e bom som: Aquele que não ama não conhece a
Deus, porque Deus é Amor.
LEITOR 2. – Jesus é Deus feito homem, que nos ama com toda a força do seu Amor
divino e humano. É um amor grande e verdadeiro, que tem os dois sinais claros de
autenticidade. Primeiro, é uma doação plena. Amor que não se dá não é amor. Mas não é
um dar-se qualquer, é uma doação que visa o nosso bem. E aí está o segundo sinal de
autenticidade: todo o verdadeiro amor, ao dar-se, quer bem, ou seja, dá-se procurando o
bem da pessoa amada.
LEITOR 3. – E qual é o bem que Jesus nos traz? Será tão bom lembrá-lo hoje!
LEITOR 1. – Todos os bens! A vida verdadeira, e vida eterna! A felicidade que não
poderá morrer! Mas, nessa infinita riqueza de bens divinos, podemos distinguir três grandes
tesouros. O tesouro da VERDADE, que Ele nos ensina; o tesouro do CAMINHO do Céu, que
Ele abre e nos mostra; e o tesouro da VIDA nova dos filhos de Deus, que brota de seu
Coração trespassado na Cruz. Tudo isso resumiu-o Jesus numa só frase: Eu sou o Caminho,
a Verdade e a Vida. Será que captamos a importância dessas palavras?
TODOS. – Jesus Menino, neste Natal, ensina-nos a compreender que só Tu és a
verdade, só Tu ensinas o bom caminho, só Tu nos trazes a autêntica vida.
LEITOR 1. – Consideremos, então, que Jesus nos traz, primeiro, a luz da Verdade.
Vem-me à cabeça agora o pai de São João Batista, Zacarias – o marido de Santa Isabel –,
que profetizou o nascimento de Jesus de uma maneira muito significativa. Dizia que a
ternura e misericórdia do nosso Deus nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente, que
há de iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte e dirigir os nossos passos
no caminho da paz. Desde antes de nascer, Jesus já é anunciado como o Sol, como a Luz, a
Luz da Verdade, que nos guiará para a paz, para a paz terrena e eterna.
LEITOR 2. – Não é isso também o que diz São João no prólogo do seu Evangelho?
Ele era a verdadeira Luz, que vindo ao mundo ilumina todo homem… A luz resplandece
nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
TODOS. – Que pena se nós não a recebêssemos, que pena se nós não a
compreendêssemos!
LEITOR 1. – Porque a Verdade que Ele nos traz não é uma verdade qualquer: é a
única verdade-verdadeira, a única verdade que salva: a verdade sobre Deus, sobre o mundo
e sobre o homem. Só ela pode dar sentido à nossa vida.
LEITOR 2. – Eu diria que a Verdade que Ele nos ensina é como a semente na mão
do semeador. Pode cair nas pedras ou entre espinhos e morrer; ou pode cair numa boa terra
e dar fruto. Depende de nós.
LEITOR 3. – Se procurássemos acolher essa Verdade com carinho, seria uma
maravilha, seríamos como o construtor de que Jesus falava: Aquele que ouve as minhas
palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou a sua casa
sobre a rocha. Nem a chuva, nem o vento, nem as tormentas conseguiriam derrubá-la.
Porque essa verdade nos daria – como diz a Bíblia – um amor forte como a morte.
TODOS. – Concedei-nos, Senhor, que o nosso coração seja terra boa, onde a
semente da Palavra de Deus possa enraizar-se, crescer e dar muito fruto.
LEITOR 1. – Continuemos a olhar para Jesus Menino. Ele fala-nos algo mais. Diznos, como víamos: Eu sou o Caminho. Toda a sua vida é exemplo e caminho para nós, é
como a sinalização da estrada que conduz a Deus, o roteiro que devemos seguir para nos
realizarmos nesta terra e na eternidade.
LEITOR 2. – É por isso que Jesus diz, muitas vezes: Segue-me!… E nos compara às
ovelhas que Ele, o Bom Pastor, conduz, entre brumas e perigos, até o lugar seguro. Ele é o
Bom Pastor que caminha adiante delas, adiante de nós…
TODOS. – Jesus, fazei com que nos decidamos a ler e meditar todos os dias o
Evangelho, para conhecer a vossa vida e seguir o vosso exemplo.
LEITOR 3. – O exemplo de Cristo é o Caminho do Amor. Assim falava São Paulo:
Caminhai no amor, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou…
LEITOR 2. – E como o Amor não é fumaça, nem é uma teoria, nem é só uma
paixão que arde e se evapora, tem que se manifestar na prática das virtudes. Por isso, aquele
que ama esforça-se por ser – com a graça de Deus – generoso, compreensivo, dedicado,
paciente; e também por ser constante, por ser forte na adversidade; por ser caridoso, gentil,
prestativo; por ser justo, discreto…; por dar a Deus cada dia mais amor, e aos irmãos
também. Em suma, por levar a sério a prática das virtudes.
LEITOR 3. – É verdade. Quem ama, faz, age, pratica, não fica só pensando e
sentindo. Vejam que traço do amor verdadeiro nos dá São João, o grande intérprete do
Amor de Cristo: Meus filhinhos – diz –, não amemos com palavras nem com a língua, mas
por atos e em verdade. E é claro que isso se aplica tanto ao amor a Deus como ao amor ao
próximo.
TODOS. – Nunca esqueçamos o que também nos diz São João: Temos de Deus
este mandamento: quem ama a Deus, ame também a seu irmão. Porque aquele que não
ama a seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.
LEITOR 1. – Com o olhar sempre fixo no Menino, pensemos na terceira coisa que
Ele nos diz: Eu sou a Vida. Jesus é Deus que se faz homem, para que o homem, de uma
maneira que não há palavras para expressar, se faça “Deus”. É um pensamento que deixava
os santos pasmados, inebriados de alegria e agradecimento. Significa que Jesus nos traz a
graça divina, que nos une intimamente a Ele e nos comunica a sua própria Vida: Da sua
plenitude – diz São João – todos nós recebemos, e graça sobre graça. Pois a lei foi dada
por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
LEITOR 2. – Como conforta pensar que a graça divina, que recebemos pela
primeira vez no santo Batismo, nos transforma, comunicando-nos uma vida nova, que é –
nada mais e nada menos – uma participação na própria vida de Deus. O Novo Testamento
traz expressões belíssimas desse mistério da graça na alma. Por exemplo, São Pedro diz que
nos faz participantes da natureza divina. São João afirma que a graça – que vem sempre à
alma juntamente com o Espírito Santo – nos dá o poder de nos tornarmos filhos de Deus. E
São Paulo declara, com grande alegria, que, com a graça do Espírito Santo, não recebemos
um espírito de escravidão, para vivermos ainda no temor, mas recebemos o espírito de
adoção como filhos, pelo qual clamamos: Abbá, Pai! Papai!
TODOS.– Sim! Jesus, o nosso Redentor, é a fonte de toda a graça. Aquele que
tiver sede, venha a mim e beba, dizia… E nos prometia derramar sem medida na nossa
alma o Espírito Santo, o Amor de Deus em pessoa, que vem para nos santificar.
LEITOR 1. – Na verdade, Jesus é o manancial de onde brotam as sete fontes pelas
quais nos vem principalmente a graça do Espírito Santo: os sete Sacramentos. Cada um
deles nos une a Deus (e aos irmãos) de uma maneira própria. O Batismo transforma-nos em
filhos de Deus; a Crisma dá-nos a força do Espírito Santo para sermos fiéis soldados de
Cristo e apóstolos; a Reconciliação ou Confissão cura a alma doente e ressuscita a que está
morta pelo pecado; a Eucaristia une-nos intimamente ao Sacrifício redentor de Jesus, que se
faz Alimento, Vida da nossa alma e companhia de Amigo no Sacrário; o sacramento da
Ordem faz com que os que recebem a ordenação sacerdotal sejam instrumentos vivos de
Cristo sacerdote, ajudados pelo ministério sagrado dos diáconos; o Matrimônio implanta a
poderosa semente da graça e do amor de Deus no amor dos esposos e dos pais; e a Unção
dos Enfermos é a mão carinhosa de Jesus, que nos ergue da doença, ou – quando é o caso –
nos encaminha definitivamente para o Céu.
LEITOR 2. – E, assim, os sete Sacramentos, juntamente com as virtudes e com a
força poderosa da oração – que é a respiração vital da alma do cristão – vão-nos
identificando com Cristo, vão-nos transformando espiritualmente nEle, fazem com que
pensemos como Cristo, sintamos como Cristo, amemos como Cristo, vivamos como Cristo.
Esta é a vida dos cristãos, a vida dos filhos de Deus que se identificam com Jesus.
TODOS. – Que este Natal seja, para nós, um novo nascimento, uma nova
descoberta da grandeza e da beleza de sermos filhos de Deus!
LEITOR 1. – Não acham que agora é um bom momento para nos perguntarmos,
diante de Jesus Menino: “Eu vivo como filho de Deus? A minha oração é oração de filho,
cheia do abandono e da confiança dos filhos muito amados? Posso dizer que o meu temor é
filial, ou seja, que não temo que Deus me abandone ou me castigue, mas temo só magoá-lo,
ofendê-lo? Cumpro os mandamentos com carinho de filho, ou com a má vontade do
escravo forçado? Tenho delicadezas de afeto filial para com Deus, para com Nossa
Senhora…? Enfim, eu poderia pôr o adjetivo filial em tudo o que penso, sinto e faço?…
TODOS – Seria tão bom que, neste ano, o Natal nos envolvesse totalmente no
Amor de Deus, tal como uma grande luz envolveu os pastores, na noite em que Jesus
nasceu! A glória do Senhor refulgiu ao redor deles…
LEITOR 1. – Se quisermos, será assim. É um desejo muito bom para pôr aos pés de
Jesus, agora que vamos encerrar a nossa Novena. Em cada Natal, Deus chega muito perto
de nós. Em cada Natal, Jesus – ultrapassando as barreiras do tempo – leva-nos para junto do
Presépio. Em cada Natal, Maria, a Mãe, oferece-nos o Menino, sob o olhar sorridente de
José. Em cada Natal, Jesus também sorri para nós, e nos pergunta: “Será agora? Será desta
vez…? Confia – diz-nos –, eu estou aqui para te ajudar”. Sim, em cada Natal, uma grande
luz brilha para nós. Em cada Natal, há uma esperança que desponta. Cada Natal, em suma,
pode ser para nós um novo nascimento. É isso que agora, concluindo a Novena, pedimos
com muita fé a Jesus, pela intercessão de Maria, sua Mãe e Mãe nossa, e de São José. Que
assim seja! Que Deus nos conceda a todos um santo e feliz Natal!
TODOS.– Ó Deus onipotente, agora que a nova luz do vosso Verbo Encarnado
invade o nosso coração, fazei que, neste Natal, manifestemos alegremente nas nossas ações
o que brilha pela fé e pelo amor nas nossas almas. Por Cristo, nosso Senhor.

APÊNDICE

I. CÂNTICOS EVANGÉLICOS (NA VERSÃO DA LITURGIA DAS HORAS)

Benedictus (Cântico de Zacarias: Lucas 1, 68-79)

Bendito seja o Senhor Deus de Israel,
que a seu povo visitou e libertou;
e fez surgir um poderoso Salvador
na casa de Davi, seu servidor,
como falara pela boca de seus santos,
os profetas desde os tempos mais antigos,
para salvar-nos do poder dos inimigos
e da mão de todos quantos nos odeiam.
Assim mostrou misericórdia a nossos pais,
recordando a sua santa Aliança
e o juramento a Abraão, o nosso pai,
de conceder-nos que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor
em santidade e justiça diante dele,
enquanto perdurarem nossos dias.
Serás profeta do Altíssimo, ó menino,
pois irás andando à frente do Senhor
para aplainar e preparar os seus caminhos,
anunciando ao seu povo a salvação,
que está na remissão de seus pecados;
pelo amor do coração do nosso Deus,
Sol nascente que nos veio visitar
lá do alto como luz resplandecente
a iluminar a quantos jazem entre as trevas
e na sombra da morte estão sentados
e no caminho da paz guiar nossos passos.
Magnificat (Cântico de Maria na casa de Isabel: Lucas 1, 46-55)
A minha alma engrandece o Senhor
e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador;
porque olhou para a humildade da sua serva,
doravante as gerações hão de chamar-me bendita.
O Poderoso fez em mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
Seu amor para sempre se estende
sobre aqueles que o temem;
manifesta o poder de seu braço,
dispersa os soberbos;
derruba os poderosos de seus tronos
e eleva os humildes;
sacia de bens os famintos,
despede os ricos sem nada.
Acolhe Israel, seu servidor,
fiel ao Seu amor,
como havia prometido a nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos para sempre.

Nunc dimittis
(Cântico do ancião Simeão com o Menino Jesus nos seus braços: Lucas 2, 29-32)

Deixai, agora, vosso servo ir em paz,
conforme prometestes, ó Senhor.
Pois meus olhos viram vossa salvação
que preparastes ante a face das nações:
uma Luz que brilhará para os gentios
e para glória de Israel, o vosso povo.

II. CANÇÕES NATALINAS POPULARES

Maria de Nazaré

Maria de Nazaré,
Maria me cativou.
Fez mais forte a minha fé
e por filho me adotou.
Às vezes eu paro e fico a pensar
e sem perceber me vejo a rezar
e meu coração se põe a cantar,
pra virgem de Nazaré.
Menina que Deus amou e escolheu
pra Mãe de Jesus, o Filho de Deus,
Maria que o povo inteiro elegeu,
Senhora e Mãe do Céu.
Ave Maria (3x) Mãe de Jesus.
Maria que eu quero bem,
Maria do puro amor,
igual a você ninguém,
Mãe pura do meu Senhor.
Em cada mulher que a terra criou
um traço de Deus Maria deixou,
um sonho de mãe Maria plantou
pro mundo encontrar a paz.
Maria que fez o Cristo falar,
Maria que fez Jesus caminhar.
Maria que só viveu pra seu Deus,
Maria do povo meu.
Ave Maria (3x) Mãe de Jesus.

Cristãos, vinde todos

Cristãos, vinde todos,
com alegres cantos.
Oh, vinde, oh, vinde até Belém!
Vede nascido vosso Rei eterno.
Oh, vinde adoremos,
oh, vinde adoremos,
oh, vinde adoremos o Salvador!
Humildes pastores deixam seu rebanho
e alegres acorrem ao Rei do céu.
Nós, igualmente, cheios de alegria
– nasceu em pobreza,
repousando em palhas –
o nosso afeto lhe vamos dar.
Tanto amou-nos! Quem não há de amá-lo!

Glória a Deus e paz na terra

Glória a Deus e paz na terra!
Hinos cantemos de louvor,
hinos de paz e de alegria,
hinos dos anjos do Senhor.
Glória! Glória a Deus nas alturas (bis).
Foi nesta noite venturosa
do nascimento do Senhor,
que anjos de voz harmoniosa,
deram a Deus o seu louvor.
Vinde juntar-vos aos pastores,
vinde com eles a Belém.
Vinde correndo pressurosos,
o Salvador, enfim, nos vem.

Noite feliz

Noite Feliz, noite feliz!
O Senhor, Deus de amor,
Pobrezinho nasceu em Belém.
Eis na lapa Jesus nosso bem!
Dorme em paz, ó Jesus (bis).
Noite Feliz, Noite Feliz.
Ó Jesus, Deus da luz,
quão afável é teu coração
que quiseste nascer nosso irmão.
E a nós todos salvar (bis).
Noite Feliz, Noite Feliz!
Eis que no ar vêm cantar
aos pastores os anjos dos céus,
anunciando a chegada de Deus.
De Jesus Salvador (bis)

Adéste, fidéles

Adéste, fidéles, lǽti triumphántes;
Veníte, veníte in Béthlehem:
Nátum vidéte Régem angelórum,
Veníte, adorémus; veníte adorémus;
Veníte, adorémus Dóminum.

É Natal de Jesus

É Natal de Jesus,
festa de alegria,
de esperança e luz! (bis)
Toda a terra canta um hino,
bendizendo o salvador,
em Belém se fez menino,
dando exemplo de amor.
Uma estrela diferente
toda a terra iluminou,
foi Jesus que humanamente
a nós todos se igualou.
Nasceu pobre e sem palácio
este rei, que trouxe o bem.
Quis apenas ensinar-nos
a mensagem de Belém.




Ética e Corrupção Começam em Casa

ÉTICA

Um pai decidiu levar seus filhos ao circo. Ao chegar à bilheteria, pergunta:
– Olá, quanto custa a entrada?
O vendedor responde:
– R$ 30,00 para adultos e R$ 20,00 para crianças de 7 a 14 anos. Crianças até 6 anos não pagam. Quantos anos eles têm?
E o pai responde:
– O menor tem 3 anos e o maior, 7 anos.
Com um sorriso, o rapaz da bilheteria diz:
– Se o senhor tivesse falado que o mais velho tinha 6 anos, eu não perceberia, e você economizaria R$ 20,00.
E o pai responde:
– É verdade, poderia ser que você não percebesse, mas meus filhos saberiam que eu menti para obter uma vantagem e a lembrança desta tarde não seria especial. Na verdade, seria terrível para o caráter deles.
E finaliza:
– A verdade não tem preço. Hoje deixo de economizar R$ 20,00, que não me pertenceriam por direito, mas ganho a esperança de que meus filhos saberão a importância de dizer a verdade.

O atendente permaneceu mudo. Também ele teria uma tarde especial para se lembrar. Essa história ilustra uma cena em que os filhos presenciam uma atitude correta do pai. A história nos permite perceber que:
– Nada deve substituir a verdade.
– Educar é dar o exemplo.
– Jamais devemos fazer pequenas concessões à mentira, o preço é alto demais.
– As palavras convencem, mas o exemplo arrasta.
O exemplo é tudo.
A corrupção começa nos pequenos gestos, que são passados às novas gerações como algo comum, que não têm problema. Pense nisso…




INDULGÊNCIA PLENÁRIA nas Missas de Fim-de-Ano

A Igreja concede indulgência plenária para aqueles fiéis que no dia 31 de dezembro rezarem o hino “TE DEUM” e quem no dia 1 de janeiro rezar o “VENI CREATOR”, ambos publicamente. Para cada um dos dias, pode-se lucrar indulgência plenária para si mesmo ou pela alma de algum fiel defunto. Não basta apenas rezar,senão que também é necessário cumprir as condições que se seguem:

1) Repulsa por todo tipo de pecado, inclusive o venial. Em outras palavras, o fiel não pode ter intenção de pecado no coração;
2) Confissão (aconselha-se pelo menos 7 dias antes ou depois do dia em que se realizar a obra indulgenciada);
3) Comungar;
4) Rezar nas intenções do Papa ao menos um Pai-Nosso e uma Ave-Maria;
5) Cumprir a obra prescrita, que nesses dias são a oração do TE DEUM ( dia 31 ) e do VENI CREATOR ( dia 1 ).

Uma só confissão vale para os dois dias, mas a comunhão e as orações pelo papa devem ser feitas em cada um dos dias. Ganha-se apenas uma indulgência a cada dia.

Seguem-se os hinos:

1) Para o dia 31/12

HINO “ TE DEUM, LAUDAMUS (A VÓS, Ó DEUS, LOUVAMOS)
A vós, ó Deus, louvamos.
A vós, Senhor, cantamos.
A vós, Eterno Pai,
adora toda a terra.
A vós cantam os anjos,
os céus e seus poderes:
Sois Santo, Santo, Santo,
Senhor, Deus do universo!
Proclamam céus e terra
a vossa imensa glória.
A vós celebra o coro
glorioso dos Apóstolos,
Vos louva dos Profetas
a nobre multidão
e o luminoso exército
dos vossos santos Mártires.
A vós, por toda a terra,
proclama a Santa Igreja,
ó Pai onipotente,
de imensa majestade,
e adora juntamente
o vosso Filho único,
Deus vivo e verdadeiro,
e ao vosso Santo Espírito.
Ó Cristo, Rei da glória,
do Pai eterno Filho,
nascestes duma Virgem,
a fim de nos salvar.
Sofrendo, vós, a morte,
da morte triunfastes,
abrindo aos que têm fé,
dos céus o reino eterno.
Sentastes à direita
de Deus, do Pai, na glória.
Nós cremos que de novo
vireis como juiz.
Portanto, vos pedimos:
salvai os vossos servos,
que vós, Senhor, remistes
com sangue precioso.
Fazei-nos ser contados,
Senhor, vos suplicamos,
em meio a vossos santos,
na vossa eterna glória.
Salvai o vosso povo.
Senhor, abençoai-o.
Regei-nos e guardai-nos
até a vida eterna.
Senhor, em cada dia,
fiéis, vos bendizemos,
louvamos vosso nome
agora e pelos séculos.
Dignai-vos, neste dia,
guardar-nos do pecado.
Senhor, tende piedade
de nós, que a vós clamamos.
Que desça sobre nós,
Senhor, a vossa graça,
porque em vós pusemos
a nossa confiança.
Fazei que eu, para sempre,
não seja envergonhado:
Em vós, Senhor, confio,
sois vós minha esperança!

2) Para o dia 01/01

VENI CREATOR SPIRITUS!
Vinde, Espírito Criador!

Vinde Espírito Criador, as nossas almas visitai,
e enchei os corações com vossos dons celestiais.

Vós sois chamado o Intercessor de Deus excelso dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.

Sois o doador dos sete dons e sois poder na mão do Pai,
por Ele prometido a nós, por nós, seus feitos proclamai.

A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetora.

Nosso inimigo repeli, e concedei-nos a vossa paz.
Se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás.

Ao Pai e ao Filho Salvador, por vós possamos conhecer
que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer.

Amém!

Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar sozinho o hino Te Deum (A vós, ó Deus) em ação de graças, e será plenária, quando recitado em público no último dia do ano.
Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar devotamente o hino Veni Creator (Ó vinde, Espírito Criador). A indulgência será plenária no dia primeiro de janeiro e na solenidade de Pentecostes, se o hino for recitado publicamente.




O Vestido Azul

Dedico este texto para todas as pessoas que têm coragem de dar o primeiro vestido azul.

 

O Vestido Azul (do livro “Novas Estórias ao Entardecer”, de William Netto Candido)

Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita. Ela frequentava a escola local. Sua mãe não tinha muito cuidado e a criança estava quase sempre suja. Suas roupas eram muito velhas e maltratadas. O professor ficou penalizado com a situação da menina.

– Como é que uma menina tão bonita pode vir para a escola tão mal arrumada?

Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade, comprou-lhe um vestido novo.

Ela ficou linda no vestido azul. Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que era lamentável que sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão suja para a escola. Por isso, passou a dar-lhe banho todos os dias, pentear seus cabelos e cortar suas unhas.
Quando acabou a semana, o pai falou:

– Mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca e plantar um jardim.

Logo depois, a casa se destacava na pequena vila, pela beleza das flores que enchiam o jardim e o cuidado com todos os detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados por morar em barracos feios e resolveram, também, arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade.

Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado. Um homem, que acompanhava os esforços e a luta daquela gente, pensou que eles bem mereciam um auxílio das autoridades. Foi ao prefeito, expôs suas ideias e saiu de lá com autorização para formar uma comissão, a fim de estudar os melhoramentos que seriam necessários ao bairro.

A rua de barro e lama foi substituída por asfalto e calçadas de pedra. Os esgotos a céu aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de cidadania.

E tudo começou com um vestido azul. Não era a intenção daquele professor consertar toda a rua, nem criar um organismo que socorresse o bairro. Ele fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento, que acabou fazendo com que outras pessoas se motivassem a lutar por melhorias.

Será que cada um de nós está fazendo a sua parte no lugar em que vive?

Por acaso, somos daqueles que somente apontamos os barracos da rua, as crianças sem escola e a violência do trânsito?

Lembremos que é difícil mudar o estado total das coisas. Que é difícil limpar toda a rua, mas é fácil varrer a nossa calçada. É difícil reconstruir um planeta, mas é possível dar um vestido azul.

Há moedas de amor, que valem mais do que os tesouros bancários, quando endereçadas no momento próprio e com bondade.

Você acaba de receber um lindo vestido azul!

Faça a sua parte!

O amor contagia e transforma tudo em sua volta.
Ame, mas ame muito.
E, como num passe de mágica, tudo será azul.




Monografia do Padre Fernando, sobre os benefícios da fé.

Para ter acesso ao arquivo em PDF contendo a monografia do Padre Fernando Rebouças, sobre os benefícios da fé, clique no link abaixo.

MonografiaPadreFernando.PDF

 

 




A HISTÓRIA DOS IPÊS

Quando Deus estava preparando o mundo, se reuniu em uma tarde com todas as árvores. Ele pediu para que cada árvore escolhesse que época gostaria de florescer e embelezar a terra. Foi aquela alegria!
Outono, Verão, Primavera, diziam!!!
Porém Deus observou que nem uma escolhia a estação do inverno. Então, Deus parou a reunião é perguntou: Por que ninguém escolhe a época do inverno?!?
Cada um tinha sua razão. Muito seco! Muito frio! Muita queimada!
Então Deus pediu um favor.
Eu preciso de pelo menos uma árvore, para embelezar o inverno, que seja corajosa para enfrentar o frio, a seca e as queimadas e no frio embelezar o mundo….
Todas ficaram em silêncio.
Foi então que uma árvore quietinha lá no fundo, balançou as folhas e disse: Eu vou!
E Deus com um sorriso perguntou: Qual seu nome minha filha?!

 

Me chamo Ipê, senhor!
As outras árvores ficaram espantadas com a coragem do Ipê em querer florescer no inverno.

 

Então Deus respondeu: Por atender meu pedido, farei com que você floresça no inverno… não só com uma cor, para que também no inverno o mundo seja colorido. Como agradecimento, terás diferentes cores e texturas, sua linhagem será enorme.

 

E assim, Deus fez uma das mais lindas árvores que da cor ao inverno.

 

E por isso temos os Ipês: Branco, Amarelo, Amarelo do Brejo, Amarelo da Casca Lisa, Amarelo do Cerrado, Rosa, Roxo, Roxo Bola, Roxo da Mata, Púrpura.
Que sejamos como os ipês, que saibamos florir nos invernos da vida!
De José Hermes Sandoval Braga por Carminha Braga.